Poucos paquistaneses aderem à greve

A greve geral convocada para hoje pelos fundamentalistas islâmicos do Paquistão para protestar contra o apoio do país aos Estados Unidos teve poucas adesões e transcorreu dentro de um ambiente pacífico, segundo informou hoje à Agência Estado o embaixador brasileiro no Paquistão, Abelardo da Costa Arantes. "As paralisações foram muito localizadas e praticamente não houve confrontos entre manifestantes e policiais", relatou. "Islamabad vive uma atmosfera muito tranqüila", complementou.Segundo Arantes, somente o comércio instalado na região central da capital paquistanesa teve hoje suas portas fechadas. Na região há uma espécie de mercado municipal bastante popular, cujos proprietários de lojas são simpatizantes do islamismo fundamentalista e, por isso, contestam a decisão do presidente paquistanês, general Pervez Musharraf, de conceder aos Estados Unidos apoio logístico autorização para o uso do espaço aéreo paquistanês caso queira atacar o Afeganistão."Houve uma manifestação com pouco mais de mil pessoas mas, como Islamabad é uma cidade muito policiada, não houve o menor sinal de perturbação", comentou, reiterando, porém, que a população aguarda de forma apreensiva os desdobramentos de possíveis conflitos entre Estados Unidos e Afeganistão.Fim das sançõesO embaixador afirmou que já haviam rumores no Paquistão de que os Estados Unidos retirariam as sanções comerciais estabelecidas ao país desde 1998, por causa dos testes nucleares realizados naquele ano. O fim das sanções ao Paquistão e à Índia foi anunciado hoje pelo governo norte-americano. Arantes considerou a medida como um sinal de bom entendimento entre os Estados Unidos e o Paquistão, mas de pouco efeito prático."As sanções comerciais se concentravam praticamente na restrição que o Paquistão sofria para adquirir produtos de alta tecnologia. Mas o principal aspecto nas relações internacionais do país estão ligados à rolagem da dívida externa junto ao FMI, o Clube de Londres e o Clube de Paris e, nessas negociações os Estados Unidos nunca realizaram intervenções", analisou.Relação comercialO embaixador estimou que o comércio bilateral entre o Brasil e o Paquistão não será reduzido se o governo norte-americano iniciar um ataque ao Afeganistão. De acordo com as últimas estatísticas divulgadas pelo governo paquistanês, o Brasil exportou US$ 121,54 milhões entre julho de 2000 e maio de 2001. "Não há razão para que o comércio se reduza, mas é certo que o frete de seguro marítimo para a região do Golfo Pérsico vai aumentar, porque as seguradoras consideram o risco maior para esse transporte", avaliou.De acordo com Arantes, o principal produto exportado pelo Brasil ao Paquistão é o açúcar, que responde por US$ 98,99 milhões dos US$ 121,54 milhões do período. Os outros produtos são os óleos vegetais e gorduras, maquinários de todas as espécies, papel e papelão ondulado, ferro, aço e suas manufaturas e produtos químicos.

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