'Povo da Colômbia quer a paz', diz embaixadora

Para representante de Bogotá no Brasil,reeleição de Santos foi mensagem clara emfavor de diálogo com Farc

ROBERTA PENNAFORT / RIO, O Estado de S.Paulo

01 Julho 2014 | 02h03

O governo colombiano espera encerrar este ano as negociações de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), o que poria fim a um conflito que este ano completa meio século e já deixou mais de 200 mil mortos.

Reeleito no mês passado graças a seu discurso em prol das negociações com o grupo, o presidente Juan Manuel Santos tem a questão da paz como prioridade neste segundo mandato.

Em entrevista ao Estado ontem, a embaixadora colombiana no Brasil, Patricia Cárdenas Santamaría, destacou os avanços no processo de paz, cujas discussões estão travadas em Havana. O consenso em três dos cinco pontos foi alcançado - o último passo foi dado em maio, quando se acertou a cooperação entre as Farc e o governo para o combate ao narcotráfico e para a promoção de outros cultivos entre os agricultores que plantam a folha de coca.

As atuais negociações começaram no fim de 2012. Não há intervenções de outros países e, paralelamente, as forças militares seguem nas buscas a guerrilheiros. "A reeleição do presidente foi um recado muito claro de que o povo quer a paz. Estamos confiantes de que teremos resultados este ano", afirmou a embaixadora.

Ela falou também sobre a integração Mercosul-Aliança do Pacífico, bloco formado por Colômbia, Chile, Peru, México e Costa Rica. Brasil, Uruguai, Argentina, Paraguai e Venezuela, os cinco países do Mercosul foram convidados para uma reunião em julho para tratar do estreitamento dos laços entre os blocos. "A aproximação é natural."

"Para o Brasil, é muito importante ver além do Mercosul, pois somos 220 milhões de habitantes", disse. O governo brasileiro espera que se acelerem os trâmites para a redução de tarifas por parte dos integrantes da Aliança.

Com o melhor desempenho em uma Copa do Mundo de sua história, a Colômbia, cuja seleção joga contra o Brasil na sexta-feira, vê no Mundial uma oportunidade de finalmente mudar sua imagem internacional, muito manchada pelo conflito com os grupos guerrilheiros e a violência do narcotráfico.

O governo lançou por ocasião da Copa a campanha "Lo bueno de Colômbia" (O bom da Colômbia), voltada especialmente para o turismo e a atração de investimentos. Para a embaixadora, o momento é único. "São 60 mil colombianos torcendo no Brasil, mostrando que somos pacíficos e alegres e nos comportamos bem. A Colômbia sofreu muito tempo com uma imagem ruim. Ainda tem muita gente que pensa no país como um lugar violento."

A intenção é divulgar a melhora vivida nas duas últimas décadas, período de transformações nos indicadores sociais e econômicos. A taxa de crescimento da economia tem ficado em 4% há cinco anos, acima da média latino-americana, de 3%, e o país atrai cada vez mais empresas brasileiras com seus benefícios fiscais.

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