Powel não cobra apoio do Brasil para ofensiva contra o Iraque

O secretário de Estado Colin Powell não cobrou do Brasil uma posição de apoio à ofensiva militar contra o Iraque. A informação é do ministro do Exterior, Celso Amorim, que se reuniu hoje com Powell em Washington, na tentativa de buscar uma solução negociada para a crise da Venezuela. A posição de Brasília sobre a questão do Iraque é conhecida pelos norte americanos. O Brasil privilegia os mecanismos das Nações Unidas para encontrar uma solução diplomática, acreditando que a guerra deve ser a última das alternativas. O ministro, que veio direto de Washington para Paris, onde desembarcou duas horas antes do presidente Luís Inácio da Silva , fez um breve relato de seus contatos nos Estados Unidos para Lula, ainda em Roissy, enquanto ambos aguardava autorização para o vôo do Legacy da Embraer para Zurique.No discurso de amanhã em Davos, apesar do clima de guerra predominar no Fórum Econômico, o presidente Lula pretende privilegiar os temas econômicos, segundo revelaram seus assessores. Lula talvez encontre maiores dificuldades para tratar desse tema delicado nos seus encontros de segunda e terça feira, em Berlim e Paris, pois esses são os dois principais países engajados na polêmica com os Estados Unidos, exigindo que toda iniciativa anglo americana passe pela aprovação das Nações Unidas. No caso da Alemanha, a posição do chanceler Gehard Schröeder é ainda mais radical , pois ele já havia dito que nenhum soldado alemão poria os pés no Iraque. O presidente Lula passa por essas duas capitais, coincidentemente, num momento muito delicado, pois é no dia 27 que será entregue o relatório dos inspetores da ONU. Nessa data ele estará em Berlim e, no dia seguinte, em Paris, reunido no Palácio do Eliseu com o presidente Jacques Chirac. Os dois lados e os Estados Unidos buscam apoio político para suas teses inteiramente divergentes sobre a necessidade ou não de uma guerra contra Bagdá. O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que também acompanhou Lula, se mostrou preocupado, temendo que uma guerra prolongada possa provocar "desarranjos" na economia brasileira.

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