Powell aplaude denúncia contra terrorismo de Arafat

O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, aplaudiu a condenação do terrorismo feita pelo presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, em artigo publicado hoje pelo ?The New York Times? e informou que se encontrará nos próximos dias com assessores do líder palestino para discutir os esforços para se alcançar um cessar-fogo e a retomada do processo de paz. Falando à rede CBS, o chefe da diplomacia dos Estados Unidos indicou que um encontro com Arafat dependerá do empenho com que ele agir contra as organizações palestinas responsáveis por ataques terroristas contra Israel. "Fico satisfeito que ele condene o terrorismo e é bom que ela o tenha feito novamente", disse Powell, referindo-se ao artigo de Arafat. "Mas, agora, o que precisamos é de ação contra os terroristas". A conselheira de Segurança Nacional da Casa Branca, Condoleezza Rice, reiterou a mensagem em entrevista a outra rede de televisão. Ela disse que os EUA ainda não viram "o esforço de 100%" de Arafat contra o terrorismo necessário para reabrir o caminho das negociações de paz. Ao mesmo tempo, Rice lembrou que "nós nunca dissemos que precisa haver 100% de resultado (na desmontagem das redes terroristas palestinas) antes de retomar a busca da paz". O primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, que na semana passada disse lamentar não ter matado Arafat quando teve oportunidade de fazê-lo, durante a invasão do Líbano, nos anos 80, rechaçou o gesto do líder palestino. "Suas declarações não mudam nada, embora o tom pareça mais conciliador", afirmou Sharon. "Arafat apresenta exigências inaceitáveis nesse texto". Dore Gold, um conselheiro do primeiro-ministro isralense, descontou o artigo do líder palestino. "Arafat condena o terror em inglês, mas continua a pregar a "jidah" (guerra santa) em árabe", disse Gold. Mas o ministro das Relações Exteriores de Israel, Shimon Peres, que é um dos pais dos esforços de pacificação iniciados em 1993 entre seu país e os palestinos, recebeu bem o artigo de Arafat, notando que é a primeira vez que ele indica "que está pronto para discutir questões-chave". Antes da publicação do texto, Sharon dissera que usaria o encontro que terá nesta quinta-feira, em Washington, com o presidente George W. Bush, para pedir o rompimento dos EUA com a Autoridade Palestina. A Casa Branca já havia anunciado que manteria os canais abertos com Arafat enquanto ele for o líder dos palestinos. Powell reiterou essa posição hoje. "Não, não podemos abandonar a atual crise no Oriente Médio, (pois) queremos voltar aos trilhos que permitam um cessar-fogo e levem a negociações". Ele informou que pretende conduzir com os assessores da Autoridade Palestina "o mesmo tipo de diálogo" que Sharon iniciou com eles, na semana passada.

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