Powell diz que cooperação de Saddam pode mantê-lo no poder

À rede Al Jazira, do Qatar, o secretário de Estado americano Colin Powell disse que uma cooperação iraquiana com os inspetores da ONU poderia até evitar a queda do governo de Saddam Hussein. "Isso significaria que houve mudança namaneira de pensar de Bagdá", ponderou Powell. Suas declarações à rede de TV árabe fazem parte de uma estratégia de propaganda americana para seduzir a opinião pública árabe, um dia após o Conselho de Segurança da ONU votar a resolução 1.441, que dá uma semana ao Iraque para se desarmar ou "enfrentar as conseqüências". "Não buscamos a guerra, mas sim a paz", garantiu Powell, à rede de tevê MBC, doKuwait. A resolução da ONU, apresentada pelos Estados Unidos e Grã-Bretanha,foi aprovada por 15 votos a zero. Embora tenha sidoretirada a expressão que inclui uso da força, o documento prevêo retorno imediato dos inspetores da ONU a Bagdá, num prazo de45 dias, com acesso irrestrito aos locais considerados suspeitos- inclusive aos palácios do presidente Saddam Hussein. O Iraqueé acusado pelos Estados Unidos de possuir armas de destruição emmassa e desenvolver armas nucleares. Powell frisou suas intenções "pacifistas" ementrevistas a várias redes árabes de tevê. "O governo dopresidente Bush tem o interesse de buscar meios parachegar à paz, para desarmar Saddam Hussein e obter o retorno daestabilidade à região", explicou ele à rede MBC antes dedesejar "um bom Ramadã (mês sagrado para os muçulmanos)." Enquanto aviões americanos ainda soltavam 240 mil panfletossobre as cidades iraquianas de Tallill, Basora e Samawah, àsmargens do Rio Eufrates, alertando a população sobre os"perigos de atacar" os americanos, Powell também falou à redede tevê LBC, do Líbano. "Não estamos nos aproveitando de umasituação para atacar o povo iraquiano. Caso o Iraque coopere comos inspetores da ONU, dará um passo para solucionar o problema", advertiu. A "traição" da SíriaEm Bagdá, o diário Babil - dirigido por Udai, filho maisvelho de Saddam - garantiu que o governo faria o possível paratirar dos EUA qualquer possibilidade de atacar o Iraque. "Umadas maneiras é aceitar a resolução", revelou o jornal, queacusou a Síria de "traição" ao votar a favor do documento. Em resposta á acusação iraquiana, a Rádio estatal de Damascoafirmou hoje a convicção do governo de que seu voto na resoluçãoevitaria um ataque ao Iraque. "A Síria considera necessáriofazer fracassar a política dos americanos, que defendem aguerra", justificou-se a emissora. Ainda de acordo com a rádio de Damasco, a Síria "recebeugarantias do Conselho de Segurança da ONU de que sua adesão nãoserá usada como pretexto para agredir o Iraque". O apoio síriovaleu ao presidente Basahar el Assed telefonemas decongratulações do presidente francês, Jacques Chirac, e dosecretário-geral da ONU, Kofi Annan. O chanceler russo, Igor Ivanov, também parabenizou a Síria eafirmou que a resolução da ONU "abre a perspectiva de umasolução" frente ao conflito e "permitirá que a paz e aestabilidade voltem à região".

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