Powell e Uribe estudam pedido de trégua na Colômbia

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Colin Powell, se reunirá amanhã com o presidente colombiano Alvaro Uribe, em Bogotá, para discutir como proceder diante da trégua declarada pelos grupos paramilitares, que buscam abrir o diálogo com o governo. O porta-voz do Departamento de Estado, Richard Boucher, disse, no entanto, não saber se a decisão de trégua vinda das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) levaria os EUA a retirarem as acusações contra dois dirigentes do grupo, que podem ser jugados em tribunais americanos por terrorismo e narcotráfico. "Até este momento, a declaração de cessar-fogo é unilateral", disse Boucher na segunda-feira. "Creio que o governo ainda está discutindo a forma pela qual deverá responder". Por isso mesmo, segundo Boucher, os EUA querem discutir esse tema com o governo colombiano. O chefe das AUC, Carlos Castaño, anunciou trégua no último domingo, com o objetivo de criar condições para um diálogo com o governo sobre o "futuro da Colômbia". Mas alguns subgrupos das AUC aparentemente não aderiram ao cessar-fogo. O presidente Uribe disse estar disposto a explorar as possibilidades de um processo de paz com as AUC, sob o compromisso de que "não se assassine nem mais um só colombiano". Segundo Boucher, não corresponde ao Departamento de Estado, mas sim à Justiça, definir se esse diálogo com os paramilitares implicaria na retirada, por parte dos EUA, do pedido de extradição dos chefes paramilitares Carlos Castaño e Salvatore Mancuso, que também são acusados na Colômbia de crimes atrozes. Boucher afirmou que a viagem de Powell não deve ser considerada uma decisão forçada pelos recentes acontecimentos na Colômbia, entre os quais a suspensão da compra de 24 caças brasileiros para a Força Aérea da Colômbia. "O secretário deseja fazer uma visita à Bogotá há algum tempo, mas por diversos motivos ainda não pôde", disse. "Então quer agora aproveitar a oportunidade para reunir-se com o governo." Segundo ele, Powell conversará com Uribe sobre a campanha contra o narcotráfico e o terrorismo, o fortalecimento das instituições democráticas, a proteção dos direitos humanos segundo os parâmetros internacionais, a promoção do desenvolvimento econômico e os desafios humanos na Colômbia. Boucher disse também que Powell discutirá com o presidente Uribe temas referentes ao Conselho de Segurança das Nações Unidas e ao Iraque. A Colômbia assumirá a presidência do conselho em dezembro. Powell chegará a Bogotá nesta terça-feira à noite. Todas as suas atividades estão marcadas para amanhã. No mesmo dia, ele retornará a Washington, por volta das 17h (hora local), 22 horas após sua chegada. Dissidentes As AUC responsabilizaram dissidentes da organização por um massacre de 12 camponeses ocorrido no final de semana em uma zona rural do Estado de Antioquia. Em comunicado divulgado na Internet, os chefes do grupo paramilitar, Carlos Castaño e Salvatore Mancuso, garantiram que 90% de seus das AUC está respeitando a ordem de cessar-fogo. No comunicado, Castaño e Mancuso culparam a frente Metro, que atua em Medellín, e em alguns outros municípios de Antioquia, pelo massacre. Segundo eles, esta frente "se afastou da linha de comando das AUC" e aparentemente ratificou sua decisão de manter a guerra contra guerrilheiros de esquerda. No mesma declaração, os chefes paramilitares também pediram a todos os seus homens que suspendam o furto de petróleo, o roubo de mercadorias nas estradas, extorsões, assassinatos seletivos ou coletivos de civis supostos colaboradores da guerrilha. Castaño e Mancuso afirmaram ainda que cada uma das frentes das AUC deve organizar seus gastos para se sustentarem durante 90 dias com os recursos de que dispõem.

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