Powell enfrentará manifestações no Paquistão

Após a onda de protestos anti-americanos ocorridos em todo o país na véspera, líderes dos partidos religiosos do Paquistão prometem novas manisfetações contra a visita do secretário de Estado americano, Colin Powell, que deve chegar ao país amanhã, após uma curta estada na Índia. Powell chegará aos dois países com a missão de consolidar o apoio à campanha militar antiterror liderada pelos EUA e deve pressionar Índia e Paquistão - potências atômicas arqui-rivais desde a independência dos dois países, há meio século, que disputam a região da Caxemira - a iniciarem um diálogo. "A visita do secretário de Estado americano ao Paquistão no momento em que a América despeja suas bombas sobre civis inocentes do Afeganistão é inaceitável para os muçulmanos do país", declarou o presidente do Conselho da Jihad Paquistanesa-Afegã, Qari Abdur Rasheed, em Rawalpindi, cidade próxima da capital do Paquistão, Islamabad. O conselho é formado por dois partidos muçulmanos do país, Sipah-e-Sahaba Pakistan e o Jamiat Ulema-e-Islam. Rasheed também pediu a intervenção da ONU para forçar os EUA e seus aliados a pararem com os ataques aéreos contra o Paquistão, iniciados há uma semana, sob a alegação de que eles "violam claramente resoluções das Nações Unidas que condenam ataques militares contra civis". O maior partido islâmico do país, o Jamiat-i-Islamiya, também ameaça convocar uma greve geral nacional de protesto contra a visita de Powell ao Paquistão na segunda-feira. Na sexta-feira, o Conselho da Jihad desafiou a determinação do presidente paquistanês, Pervez Musharraf, de proibir manifestações anti-americanas no país e promoveu protestos em Rawalpindi e Islamabad na qual não faltaram exortações à guerra santa contra os EUA e a queima de bandeiras americanas. ViolênciaAo mesmo tempo, o Jamiat-i-Islamiya, promovia protestos contra o ataque militar ao Afeganistão nas cidades de Peshawar, Quetta e Karachi, onde se registraram os casos de maior violência, com uma lanchonete da rede americana KFC incendiada, edifícios do governo depredados e veículos destruídos. Um manifestante morreu baleado pela polícia. Outra razão da revolta dos grupos radicais muçulmanos foi o anúncio da concessão, por parte do governo do Paquistão, de dois aeroportos do sul do país para o uso das forças americanas. Segundo o jornal paquistanês em língua inglesa The News International, os primeiros vôos da Força Aérea dos EUA devem chegar hoje a esses aeroportos, localizados na região tribal semi-autônoma do Baluchistão. Esses vôos trazem equipamentos de logística, como instalações de comunicação, barracas de campanha, móveis de cozinha, etc. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Riaz Mohammad Khan, reiterou ontem, durante a reunião que mantém diariamente com os jornalistas estrangeiros, que os aeroportos cedidos aos EUA destinam-se apenas a abrigar unidades para operações de emergência, como recolhimento de cadáveres e resgate de soldados no território afegão. Khan esclareceu que essas unidades não lançarão ataques contra o Afeganistão. O porta-voz, no entanto, recusou-se a confirmar informações de que as tropas paquistanesas no Baluchistão estavam sendo reforçadas para a chegada das unidades militares dos EUA. Em Quetta e Peshawar, cidades paquistanesas mais próximas da fronteira com o Afeganistão, fontes de imprensa desmentiram informações divulgadas na véspera no Ocidente, segundo as quais um filho, o pai e outros membros da família do mulá Mohammed Omar, líder supremo da milícia radical islâmica Taleban, tinham sido mortos durante um dos ataques anglo-americanos ao Afeganistão. Seguidores do Taleban nas duas cidades atribuíram a notícia à "campanha de desinformação contra o Islã promovida pelos EUA". As mesmas fontes também desmentiram as informações segundo as quais mais de 10 mil combatentes talebans tinham desertado depois de cruzar a fronteira com o Usbequistão.Leia o especial

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