Powell evita envolver-se em conflitos da Caxemira

O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, declarou hoje que os Estados Unidos e a Índia lutam ?ombro a ombro contra o terrorismo? e condenou fortemente o ataque de islâmicos radicais na Caxemira, região controlada pela Índia. Acompanhado do ministro de Relações Exteriores da Índia, Jaswant Singh, numa coletiva de imprensa, Powell também tentou neutralizar as críticas de autoridades indianas aos comentários que ele fez ontem em sua visita ao Paquistão. Powell e Singh fizeram comentários positivos sobre o progresso das relações entre Índia e EUA nos últimos anos, descrevendo os dois países como ?aliados naturais? porque compartilham os mesmos valores. Powell o ministro do interior da Índia, Lal Krishna Advani, assinaram hoje um pacto que prevê o combate ao crime internacional e ao terrorismo. O tratado vai fortalecer um acordo de extradição assinado entre os dois países em 1999 e regularizar meios legais de cooperação mútua. O acordo também permite a troca de provas para serem usadas em julgamentos de crimes. O primeiro-ministro indiano, Atal Bihari Vajpayee, aceitou um convite de Powell para visitar Washington no dia 9 de novembro. A Índia foi um dos países que condenou os ataques terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos e ofereceu apoio na luta antiterrorista. ?Os EUA e a Índia estão unidos contra o terrorismo e isso inclui o terrorismo dirigido à Índia?, disse Powell. os conflitos entre Índia e Paquistão se intensificaram dramaticamente depois que a explosão de um carro-bomba matou 40 pessoas, no início de outubro, na região indiana da Caxemira. As conseqüências políticas do incidente motivaram Powell a visitar os dois países rivais. Ele quer que ambos concentrem suas energias no combate ao terrorismo. Ontem, no Paquistão, Powell afirmou que uma chave para a solução dos problemas é o reconhecimento das aspirações do povo da Caxemira, comentário que atende aos interesses do Paquistão. ?Nós certamente não concordamos com essa premissa?, disse o porta-voz do chanceler indiano, Nirupama Rao. ?Não deve haver confusão entre causa e efeito. A presente situação na Caxemira é conseqüência do terrorismo patrocinado pelo Estado e não sua causa.? Também provocou mal-estar entre as autoridades indianas o fato de ter sido atribuída a Powell a afirmação de que a Caxemira é ?o problema central? das relações indo-paquistanesas. Essa afirmação reproduz a descrição paquistanesa do conflito. A Índia acredita que a Caxemira é apenas ?um dos problemas? entre os dois países. Powell resolveu o problema dizendo que houve um erro na citação atribuída a ele e que sua afirmação foi de que a Caxemira é ?um problema central? entre os dois países. Powell chegou à Índia após dois dias de confrontos entre tropas indianas e paquistanesas na região da Caxemira. Ele comentou o problema em suas reuniões com o chanceler Singh, ontem à noite, e com o primeiro-ministro Vajpayee, hoje. O exército indiano afirmou que o bombardeio às posições paquistanesas foi uma punição ao país vizinho por apoiar militantes islâmicos que lutam para separar a região do Himalaia da Índia. O Paquistão nega este apoio. ?O exército atuará assertivamente, sem barreiras?, disse o ministro da Defesa, George Fernandes. ?A Índia não terá misericórdia na luta contra invasores e os métodos usados por eles, como minas, assassinatos... ataques suicidas?. Fernandes disse que soldados indianas mataram 30 militantes que tentaram ultrapassar a linha do cessar-fogo que separa o país do Paquistão e as áreas da Caxemira sob controle indiano. O Paquistão acusa a Índia de matar uma mulher e ferir 25 civis e de negar à população majoritariamente muçulmana da região o direito de autodeterminação (possibilidade de um povo escolher se quer se manter sob a custódia de determinado Estado). A Índia se recusa a aceitar intervenção externa na disputa e, por isso, Powell não fez nenhuma oferta para mediar as negociações. O grupo militante Lashkar-e-Tayyaba, sediado no Paquistão, fez ameaças de novos ataques suicidas em território indiano em retaliação aos ataques contra as posições paquistanesas. Depois de se encontrar com o primeiro-ministro Vajpayee, Powell se dirigiu para Xangai, na China, para dois dias de negociações com líderes asiáticos antes da cúpula que reunirá países da região do Pacífico Asiático. O presidente George W. Bush deve chegar a Xangai amanhã. Leia o especial

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