Powell faz elogio inusitado a Fidel

O distanciamento de quatrodécadas entre EUA e Cuba diminuiu um pouco nesta quinta-feira,quando o secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, fez umaespécie de elogio ao presidente cubano Fidel Castro. "Ele fez algumas coisas boas para seu povo", dissePowell referindo-se a Fidel - que governa Cuba desde 1959, apóso triunfo da revolução por ele liderada no país. "Ele já não é a ameaça que foi", disse Powell duranteuma reunião do Subcomitê de Dotações da Câmara de Representantesao ser interpelado pelo deputado democrata José Serrano, de NovaYork. Serrano qualificou de injustificado o isolamentodiplomático imposto por Washington à ilha. Os EUA romperamrelações diplomáticas com Cuba em 1961. Em um governo após o outro, tanto democratas comorepublicanos, incluindo o presidente George W. Bush, buscaramisolar Cuba econômica e politicamente. Fidel, no entanto,conseguiu sobreviver a esse isolamento, mantendo-se por décadasno poder, com o apoio financeiro da União Soviética e mesmodepois do desaparecimento desta. "Tal política não tem sentido", disse Serrano aPowell. "Trata-se de um país que não nos causou nenhum dano",acrescentou Serrano. "Por que a China sim e Cuba não?" Os EUA têm relações diplomáticas com a China e o Vietnã,teve relações com a União Soviétcia e negociou com a Coréia doNorte, lembrou Serrano. Em lugar de tentar guiar Cuba para a democracia e umamelhor economia, Washington se recusa a tratar com Fidel,afirmou Serrano em seguida. Sob o governo de Fidel Castro, Cuba exporta médicos, nãorevolução, acrescentou. O deputado por Nova York sugeriu que a políticaamericana talvez seja guiada pelos sentimentos dominantes nocondado de Dade, na Flórida - núcleo de centenas de milhares deexilados cubanos, ferozes opositores do atual regime de Havana. Powell respondeu que tanto na China, como na Rússia e noVietnã, "pode-se ver líderes sujeitos às mudanças do mundo";em Cuba, no entanto, Fidel é um líder preso ao passado, que"não mudou de forma alguma seus pontos de vista".

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