Powell inclui Al-Aqsa entre grupos terroristas

O secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, incluiu as Brigadas dos Mártires de al-Aqsa - o grupo que realizou o atentado nesta quinta-feira em Israel - na lista americana das organizações terroristas estrangeiras e encaminhou ao Congresso uma notificação sobre sua decisão, que requer o aval do Legislativo.As brigadas são uma milícia surgida da Fatah, organização a que pertence o presidente da Autoridade Palestina (AP), Yasser Arafat, e a maior facção da Organização pela Libertação da Palestina (OLP) -, entidade que congrega os movimentos que lutam pela criação da Palestina.Da lista constam três grupos palestinos: os islâmicos Hamas e Jihad Islâmica e a marxista Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP). A designação torna ilegal nos EUA a coleta de fundos ou qualquer apoio a essas organizações. As Brigadas lançaram seu primeiro ataque em 30 de outubro de 2000, cerca de um mês depois do início da intifada (levante palestino contra a ocupação israelense).O grupo matou dois guardas israelenses em Jerusalém Oriental, a porção árabe da cidade, ocupada por Israel em 1967. Al-Aqsa é uma referência à mesquita que leva esse nome e fica na Esplanada das Mesquitas (Monte do Templo para os judeus), região disputada por Israel e a AP na Cidade Velha.A visita do então líder da oposição israelense Ariel Sharon ao local num momento em que os ânimos estavam exaltados por causa do fracasso das negociações de paz foi o estopim da intifada. Com a escalada da violência, as Brigadas passaram a realizar ataques mais mortíferos.Analistas políticos observam que a radicalização do conflito estava ampliando a popularidade do Hamas e Jihad Islâmica, responsáveis nos primeiros meses pelos piores atentados e únicos grupos que usavam suicidas. Mais recentemente, as Brigadas passaram a valer-se dos camicases.Mas, enquanto o Hamas e a Jihad querem criar um Estado islâmico e não reconhecem Israel, as Brigadas são laicas e lutam pela retirada dos israelenses dos territórios ocupados em 1967 (mesma posição da Fatah). Aparentemente, Arafat não impõe freios às Brigadas porque não controla os radicais da Fatah e teme perder o poder.

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