Powell inicia amanhã visita à Índia e ao Paquistão

Sob a ameaça de enfrentar uma série de protestos promovidos por grupos fundamentalistas islâmicos, o secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, deve chegar amanhã a Islamabad, depois de reunir-se com autoridades indianas em Nova Délhi. Fontes do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão informaram à Agência Estado que o principal foco das discussões de Powell nos dois países será o futuro das relações entre Índia e Paquistão e a disputa pela região da Caxemira. Mas a manutenção do apoio tanto de Islamabad quanto de Nova Délhi às operações da aliança antiterrorista no Afeganistão também está na agenda oficial das negociações. Powell chegará à Índia amanhã pela manhã e viaja para Islamabad à tarde, onde fica até a manhã de terça-feira. "A discussão principal será sobre o status da Caxemira, que é uma perigosa fonte de tensão não só para os dois países, mas também para toda a região", declarou no sábado, no briefing diário para jornalistas estrangeiros na sede do Ministério das Relações Exteriores, o porta-voz Riaz Mohammed Khan. "Acreditamos num relaxamento dessas tensões e convidamos o primeiro-ministro indiano, Atal Behari Vajpayee, e o ministro de Relações Exteriores, Jaswant Singh. Mas reiteramos que nossa posição sobre o tema está baseada em resoluções da ONU", completou Khan, referindo-se a uma resolução das Nações Unidas de 1998, que favoreceu o Paquistão na disputa do território. Na semana passada, o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, reuniu-se com Vajpayee após vários dias de acusações mútuas entre os dois países, que são potências nucleares. Entre elas, o governo indiano acusou o Paquistão de apoiar o terrorismo, afirmando que guerrilheiros ligados ao Taleban e ao grupo Al-Qaeda - organização liderada pelo saudita Osama bin Laden - estão lutando ao lado de grupos paquistaneses na Caxemira. Em resposta, Musharraf advertiu às autoridades indianas que não se aproveitem da situação no Afeganistão para fazer propaganda antipaquistanesa. Os contatos de Powell no Paquistão devem tratar também do futuro do Afeganistão. Um analista ouvido pela AE, que pediu para não ter seu nome revelado, disse acreditar que, sem o apoio financeiro e político do Paquistão, o Taleban não deve sustentar por muito tempo o poder no Afeganistão. "O fator complicador é que o governo paquistanês não deve aceitar facilmente a instalação de um governo da Aliança do Norte - rival do grupo étnico-lingüístico pashtun que predomina no oeste do território paquistanês", disse a fonte. "Para ser bem aceito, o futuro governo afegão terá de ser formado a partir de uma ampla base de apoio que abrigue todos os grupos: pashtuns, tadjiques, usbeques, farsis, etc.", prosseguiu. "Se os EUA quiserem manter a estabilidade de um governo formado nesses moldes, terão de injetar muito dinheiro no Afeganistão para recontruir o país. E mesmo assim, nada impedirá que os mujahedines (combatentes islâmicos) que hoje formam o Taleban se reagrupem no futuro para tentar recuperar o poder."

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