Powell modera críticas à China

O secretário de Estado americano, Colin Powell, afirmou neste sábado que especialistas da China e dos EUA podem reunir-se para discutir a proliferação de armas, incluindo a transferência de tecnologia de mísseis para o Paquistão, Irã e outros países. Washington acusa Pequim de violar convenções internacionais com essas vendas. "Vamos manter conversações sobre a questão da não-proliferação", disse Powell na entrevista coletiva que concedeu ao final de sua visita de um dia a Pequim. O secretário não precisou quando nem onde se darão essas conversas. Powell reuniu-se com o presidente chinês, Jiang Zemin, com quem discutiu a retomada do processo de licenciamento para a cooperação espacial entre Washington e Pequim. Powell afirmou também ter felicitado Jiang pela escolha de Pequim como sede dos Jogos Olímpicos de 2008 - decisão muito criticada pelos organismos internacionais de defesa dos direitos humanos. "Sua visita tem para nós grande importância porque se produz num momento decisivo de nossas relações", declarou, por seu lado, o ministro das Relações Exteriores da China, Zhu Rongji. Na realidade, as relações entre os dois países chegaram ao nível mais baixo nos últimos meses, depois que um avião de espionagem americano chocou-se em pleno ar com um caça chinês e foi forçado a fazer um pouso de emergência na ilha chinesa de Hainan. Depois de disparar várias críticas à situação dos direitos humanos na China, Powell adotou em Pequim, pela primeira vez, um tom conciliador em relação a Pequim, evitando mencionar, por exemplo, o caso de três acadêmicos sino-americanos presos na China nos últimos meses e acusados de espionagem. Outro tema delicado, no qual Powell não obteve nenhum avanço, foi a questão de Taiwan. Em declarações a jornalistas, o secretário reafirmou o compromisso de Washington de entregar armas defensivas à ilha - que Pequim considera uma província rebelde e que, num futuro próximo, deve reunificar-se ao continente, pela força, se necessário. Após a visita à China, Powell partiu para a Austrália, última etapa de seu giro pela região da Ásia-Pacífico - que incluiu ainda viagens a Vietnã e Coréia do Sul.

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