Powell mostra otimismo com a sua missão no Oriente Médio

O secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, insistiu nesta quarta-feira que sua missão de paz não está ameaçada pela recusa do primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, de suspender as invasões militares em áreas palestinas. "Minha missão não está de forma nenhuma ameaçada", disse Powell numa entrevista coletiva concedida pouco depois de Sharon anunciar que a ofensiva militar na Cisjordânia continuaria, apesar das objeções dos Estados Unidos, até que as milícias palestinas sejam esmagadas.Powell, que chegará nesta quinta-feira a Jerusalém, esteve hoje em Madri, onde se reuniu com o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, o chanceler russo, Igor Ivanov, o representante do Exterior e de Segurança da União Européia, Javier Solana, e o ministro do Exterior espanhol, Josep Pique.Ele afirmou que ainda pretende se reunir tanto com Sharon quanto com o líder palestino Yasser Arafat. Ele disse que, apesar das críticas a Arafat, ele continua sendo "o líder do povo palestino" e um protagonista-chave em qualquer esforço para garantir uma trégua."Gostaríamos de ver sendo dado ao senhor Arafat mais espaço e acesso a instrumentos de comunicação para que possa estar mais rapidamente em contato com outros líderes palestinos. Estarei olhando atentamente em que condições ele está operando", disse. Israel tem mantido o líder palestino detido em seu escritório em Ramallah, Cisjordânia.Perguntado sobre os comentários de Sharon de que não pode retirar imediatamente suas tropas, Powell afirmou que Bush "tem falado com clareza" sobre a necessidade de uma rápida retirada israelense. "Entendemos a difícil situação em que Israel se encontra, mas acreditamos que a melhor maneira de aliviar esta tensão, a melhor maneira de irmos para frente e oferecer uma solução para a crise. é com a retirada das forças israelenses," considerou Powell.Em Washington, o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, expressou desapontamento com a relutância de Israel em se retirar de todas as cidades palestinas ocupadas, mas sugeriu que isto já era esperado. "Não penso que o povo norte-americano não se surpreende que trata-se de um desafio, de que é difícil, que o povo da região não irá simplesmente parar, saudar os Estados Unidos, e dizer, ´sim senhor´".Fleischer disse que o mais recente atentado suicida, que deixou oito israelenses mortos nesta quarta-feira, "reforça para o presidente a necessidade de que todos os envolvidos recuem, que Israel se retire e que os palestinos e árabes parem com a violência, parem com os assassinatos".Enquanto isso, antes de visita de Powell, funcionários palestinos reuniram-se em Jerusalém com o enviado especial dos EUA ao Oriente Médio, Anthony Zinni. Ele está em Israel desde 14 de março em uma tentativa de negociar um cessar-fogo. Porém, a escalada da violência praticamente inviabilizou a missão.Um funcionário do alto escalão do governo norte-americano disse que a situação é grave e comentou que Israel vem sendo pressionado para agir comedidamente em resposta aos ataques do Hezbollah.Powell reiterou a posição de que uma solução política deve ser buscada simultaneamente aos esforços por um cessar-fogo. "Qualquer forma de violência nestas circunstâncias é contraproducente", afirmou. "Está desestabilizando totalmente a região."

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