Powell não consegue convencer China, Rússia e França

O secretário americano de Estado, Colin Powell, não conseguiu convencer três membros importantes do Conselho de Segurança (CS) da ONU - China, Rússia e França - e menos ainda as nações árabes, onde a desconfiança em relação aos EUA é profunda.Jornais e analistas políticos no mundo árabe não aceitam a tese de que o regime do presidente Saddam Hussein representa uma séria ameaça que deveria ser eliminada pela força, se necessário. Vários órgãos de imprensa enfatizaram que os EUA vão, de qualquer maneira, deslanchar a guerra e o diário saudita Al-Riyad observou que o objetivo do governo americano é controlar as reservas petrolíferas iraquianas - posição compartilhada pela população árabe em geral.A maioria dos Estados da região, incluindo os influentes Egito e Arábia Saudita, ainda não emitiram um comunicado oficial sobre o discurso de Powell. Mas muitos jornais que refletem a posição governamental destacaram não terem se impressionado com as provas dos americanos."O discurso inteiro foi uma tentativa de apresentar motivos irrecusáveis para um ataque ao Iraque, mas esses motivos não são de fato irrecusáveis", afirmou o ministro da Informação do Líbano, Ghazi al-Aridi, uma das poucas autoridades a expressar opinião."O discurso foi longo em acusações e curto em evidências", concluiu o cientista político egípcio Emad Shahin, acrescentando que a ONU deveria pedir agora aos inspetores que provem as acusações.Na Europa, o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, defendeu hoje no Parlamento seu alinhamento com os EUA na questão iraquiana. No dia anterior, ele elogiara a "abundância de provas de Powell". Ele insistiu em que o regime de Saddam é uma ameaça vital para o Oriente Médio e o mundo e considerou oportuna a aprovação de uma segunda resolução do CS, que legitime "o uso controlado da força". A sessão parlamentar teve um começo tumultuado, quando deputados do Partido Verde hastearam diante da tribuna do governo uma enorme bandeira colorida em favor da paz.Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da França, Jacques Chirac, conversaram por telefone sobre uma solução política para a crise. Segundo o Kremlin, Putin e Chirac destacaram a semelhança de posição entre os dois países.Chirac disse que as evidências apresentadas por Powell não eram suficientes para fazer com que a França mudasse sua posição contrária à guerra. "Nos recusamos a pensar que a guerra é inevitável", acrescentou.

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