Powell não convence Putin sobre escudo antimísseis

O secretário de Estado americano, Colin Powell, não conseguiu persuadir o presidente russo, Vladimir Putin, a retirar suas objeções sobre os planos dos Estados Unidos de construir um escudo antimísseis.Powell partiu de Moscou sem declarar vitória no controverso assunto da defesa antibalística e sem levar consigo qualquer compromisso firme da Rússia de reduzir seus arsenais nucleares.Por outro lado, Powell e o chanceler russo, Igor Ivanov, disseram, durante uma coletiva conjunta, que estavam próximos de um acordo sobre algumas eliminações específicas de mísseis por parte de Moscou.Powell confiava em que os russos definissem um número específico de ogivas nucleares que seriam eliminadas, para que correspondessem à redução oferecida pelo presidente americano, George W. Bush, no mês passado.Durante a visita de Putin aos Estados Unidos, em novembro, Bush anunciou que Washington reduzirá seu arsenal, de 6.000 ogivas para 1.700 ou 2.000.Putin sugeriu inicialmente que a Rússia poderia reduzir seu número de armas nucleares para 1.500 e afirmou, também no mês passado, que seu país igualaria em termos gerais os níveis oferecidos por Bush.No entanto, Ivanov afirmou, nesta segunda-feira, a jornalistas, que seu país não está preparado para divulgar uma cifra final, o que poderá acontecer apenas quando Bush visitar a Rússia, no próximo ano."Estamos muito próximos", disse Powell. "É uma questão de passar para o presidente Bush o que ouvi hoje".Rússia e EUA mantêm também algumas diferenças sobre se as reduções de armas nucleares devem ser estipuladas em um tratado, como quer a Rússia, ou em um documento menos formal, proposto por Bush.Sobre os planos dos EUA de construir um escudo nacional de defesa antimísseis, as duas partes não pareciam muito próximas. Para seguir adiante com esse plano, ambos os países teriam que concordar com diversas modificações no Tratado de Mísseis Antibalísticos (ABM, por sua sigla em inglês), de 1972, que proíbe o desenvolvimento de tais sistemas de defesa."As posturas das partes permanecem as mesmas", disse Ivanov na coletiva. "Não estamos excluindo a possibilidade de que os Estados Unidos se retirem do tratado ABM", afirmou.Ele sugeriu que, neste caso, a Rússia faria o mesmo, pois a prioridade do país "é a promoção da segurança nacional".

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