Powell quer apoio de aliados para um ataque ao Iraque

O secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, não acredita que os EUA possam lançar uma operação militar para derrubar o presidente iraquiano Saddam Hussein sem a aprovação dos aliados, segundo um dos colaboradores mais próximos, que deu as declarações sob a condição de não ter o nome publicado. "Ele se opõe a qualquer ação na qual os EUA atuem isoladamente", disse a fonte à rede de TV CNN. Powell mantém silêncio há três semanas sobre a pressão dos EUA sobre o Iraque. Na semana passada, sob a alegação de que o secretário estava em férias, ele não participou de uma reunião na fazenda do presidente George W. Bush, no Texas, com os principais assessores de administração envolvidos no planejamento de uma intervenção no Iraque. Segundo o colaborador de Powell, o secretário de Estado está empenhado em convencer Bush da necessidade de se formar uma forte e ampla coalizão militar, similar à que levou adiante a ofensiva durante a Guerra do Golfo, e obter um mandato do Conselho de Segurança da ONU antes de empreender qualquer ação. A atuação de Powell se contrapõe à do vice-presidente Dick Cheney, que defende a tese de lançar uma ação preventiva rapidamente para evitar que Saddam ganhe tempo e avance nos supostos programas para obter armas de destruição maciça - químicas, biológicas e nucleares. A tese de Powell, general da reserva e comandante de campo durante a Guerra do Golfo, é apoiada por outros três oficiais também da reserva que se opõem a uma operação norte-americana unilateral no Iraque. São eles os generais Anthony Zinni, Norman Schwarzkopf e Wesley Clark. "Os EUA não precisam de novos inimigos no mundo islâmico", disse Zinni, que atua como enviado do governo norte-americano para mediar o conflito israelense-palestino. "Não deixa de ser interessante que todos os generais pensem de maneira parecida, enquanto aqueles que nunca dispararam um tiro estejam tão sedentos de guerra." A administração Bush acusa Saddam de acelerar os programas de armas proibidas depois de 1998, quando o regime iraquiano expulsou os inspetores de armas da ONU, acusando-os de espionar para os EUA. A inspeção tinha sido imposta a Bagdá por uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas emitida ao final da Guerra do Golfo. Os principais integrantes daquela coalizão, no entanto, têm manifestado dúvidas sobre a necessidade de uma nova ofensiva contra o Iraque. Até agora, o único líder ocidental disposto a apoiar uma intervenção americana é o primeiro-ministro britânico Tony Blair. Mesmo assim, vários setores de seu partido e a opinião pública britânica são contrários à participação do país em um eventual ataque. No começo da semana, o secretário de Relações Exteriores britânico, Jack Straw, propôs a imposição de um ultimato a Saddam para que concorde com a retomada das inspeções. A proposta foi recebida sem muito entusiasmo por Washington. O chanceler alemão, Gerhard Schroeder, e o presidente francês Jacques Chirac já fizeram advertências às autoridades norte-americanas para que evitem qualquer ação unilateral. Os chanceleres dos países da União Européia, reunidos em Helsingoer, na Dinamarca, debatem neste sábado a questão do Iraque numa sessão plenária. Hoje, o presidente da Comissão Européia, Romano Prodi, afirmou que "há profundas interrogações sobre uma possível ação militar que não foi suficientemente meditada e compartilhada". Outro aliado dos EUA no Golfo Pérsico, a Arábia Saudita, também já se declarou contrária a uma ação para derrubar Saddam.

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