Powell quer mais provas antes de ataque ao Iraque

Depois de três semanas sem falar sobre aquestão iraquiana, o secretário americano de Estado, ColinPowell, fez afirmações hoje que divergem da linha adotadapelo Departamento de Defesa (Pentágono) e a Casa Branca. Emvisita à Grã-Bretanha, Powell disse à emissora britânica de TVBBC que os EUA e seus aliados precisam de mais provas do perigoque o Iraque representa e só assim poderão estar convencidos danecessidade de um ataque.Além disso, ele defendeu um "debate com a comunidadeinternacional" e afirmou que Washington espera que o Iraquepermita o retorno dos inspetores de armas de destruição em massa da ONU, como primeiro passo para resolver a crise. Eles foramforçados a deixar o país em 1998. Powell insistiu em que essa éa posição do presidente dos EUA, George W. Bush, e ressalvou que, mesmo com o retorno dos inspetores, Bush não mudará suapolítica de buscar a mudança do regime no Iraque. A BBC sóantecipou trechos da entrevista, que irá ao ar esta semana.Os comentários contrariam a posição do vice-presidenteamericano, Dick Cheney - expressa há apenas uma semana -, de quea volta dos inspetores não evitaria um ataque porque não seriagarantia de que o presidente Saddam Hussein interrompeu seuprograma de armas químicas e biológicas. Powell também dissecompreender a necessidade da comunidade internacional de obtermais informações sobre a ameaça representada por Saddam antes detomar uma decisão.A declaração dele evidenciou mais uma vez a divisão no governoentre moderados e "falcões", como Cheney e o secretário doPentágono, Donald Rumsfeld. O fato de Powell fazer o comentárioapenas uma semana depois de Cheney ter indicado o contrárioprovocou críticas de republicanos contra a falta de sintonia naadministração Bush. Para o ex-secretário de Estado AlexanderHaig, também republicano, "Bush tem de liderar, unificar",controlar a situação.Ao mesmo tempo, a revista Time informa em sua edição destasemana que Powell está frustrado por ter de lutar duro paraobter pequenas vitórias sobre os falcões e, por isso, nãopretende continuar na administração se Bush conseguir um segundomandato. Mas a Casa Branca reiterou à revista que ele não templanos de deixar o governo.Também hoje, o líder do oposicionista Partido Conservadorbritânico pediu ao primeiro-ministro Tony Blair paraexplicar ao público o perigo que Saddam Hussein representa paraos britânicos, e unir apoio para um ataque militar contra oIraque.Escrevendo no jornal The Sunday Times, Iain Duncan Smith disseapoiar uma ação militar contra Saddam, que, segundo ele, tem"os meios, a mentalidade e os motivos" para ameaçar asegurança britânica."Agora é o momento para o primeiro-ministro explicar ao povobritânico o que ele já sabe - que o Iraque é um claro ecrescente perigo para a Grã-Bretanha", garantiu o líderoposicionista.Londres é considerado o mais determinado aliado dos EUA noevento de uma ação militar contra Bagdá. Mas Blair enfrenta umaforte oposição à guerra dentro de seu próprio PartidoTrabalhista, e, segundo recentes pesquisas, entre os eleitoresconservadores e trabalhistas.

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