Powell se diz preocupado com rumos da democracia russa

No dia de sua chegada à Rússia, osecretário americano de Estado, Colin Powell, publicou um artigona capa do jornal russo Izvestia no qual expressa suapreocupação sobre os rumos da democracia russa e deixa claro quehá limites para o relacionamento EUA-Rússia "atingirem seupotencial", se os dois países não compartilharem os mesmosvalores. Ele relaciona algumas questões que suscitam"perplexidade" em Washington. "O sistema democrático russo parece não ter encontrado ainda oequilíbrio essencial entre o Executivo, o Legislativo e oJudiciário", escreveu Powell. "O poder político ainda não estáinteiramente respaldado na lei." Powell questionou também apolítica russa na Chehênia e as relações do país comex-repúblicas soviéticas, em particular a Geórgia e a Moldávia,na qual a Rússia mantém duas bases militares. O governoamericano tem insistido na necessidade da retirada das forçasrussas desses países. Apesar de Powell ter adotado a linguagem diplomática, o textofoi uma crítica incomum dos EUA à Rússia, que tem trabalhadoestreitamente com o governo americano no combate ao terrorismo etem cooperado em questões regionais, como a crise da Coréia doNorte. Depois de se encontrarem hoje no Kremlin, Powell e opresidente russo, Vladimir Putin, não esconderam suasdivergências, mas fizeram questão de destacar a "solidez" dasrelações entre os dois países. "Quero assegurar-lhes que apolítica da Rússia para com os EUA é estável e previsível",disse Putin, frisando que esse quadro permite superar"divergências táticas". O secretário americano, após mencionartambém "desacordos e divergências", disse que o nível dasrelações entre os dois países favorece a discussão desses temasde maneira "franca e honesta", e citou a boa cooperação emvários aspectos, como Iraque e Afeganistão. Rússia e Estados Unidos estreitaram rapidamente seus vínculosdepois dos atentados de 11 de setembro de 2001. Putin apoiou ainvasão americana do Afeganistão e não interferiu no uso debases na ex-república soviética do Usbequistão pelas tropasamericanas, entre outras investidas dos EUA na Ásia Central -tradicional área de influência russa. O chanceler russo, Igor Ivanov, com quem Powell também sereuniu, garantiu que a Rússia retomará negociações com a Geórgiapara a retirada das tropas tão logo se forme o novo governogeorgiano. Isso ficou acertado num contato entre Ivanov e opresidente Mikhail Saakashvili, no domingo, em Tbilisi. Adeclaração agradou a Powell, que esteve domingo na posse dopresidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili. Para tranqüilizar ogoverno russo, Powell afirmou que os EUA não têm intenção decriar bases militares na Geórgia e a missão americana deinstrução militar, enviada ao território georgiano em 2002, estápara encerrar-se. Rússia e EUA disputam influência sobre a Geórgia, um pequenopaís estrategicamente localizado entre os países produtores depetróleo no Mar Cáspio e o Mar Negro. A Geórgia tem pressionadopela retirada das tropas russas, mas o ministro da Defesa daRússia tem dito que ela levará pelo menos 11 anos.

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