Powell tenta baixar tensão entre Paquistão e Índia

O secretário de Estado americano, Colin Powell, chegou hoje a Islamabad, capital do Paquistão, onde se reúne amanhã de manhã com o presidente paquistanês, Pervez Musharraf. Depois, ele parte imediatamente para Nova Délhi, como parte de seu esforço para tentar baixar a tensão entre Paquistão e Índia - duas potências nucleares - na disputa pela região da Caxemira. Nos últimos dias, autoridades indianas aumentaram o tom das acusações de que o Paquistão promove a violência terrorista na província. Por seu lado, o governo paquistanês tem advertido a Índia para que não se aproveite da atual campanha internacional contra o terror para espalhar propaganda antipaquistanesa. Powell deve discutir também com os dois países o impacto que os bombardeios liderados pelos Estados Unidos contra o Afeganistão estão causando na região. Uma greve geral convocada pelos partidos islâmicos do Paquistão, em protesto contra a visita de Powell, teve adesão significativa nas maiores cidades paquistanesas próximas da fronteira com o Afeganistão, Quetta e Peshawar, e na maior cidade do país, Karachi. Embora o tema não conste da agenda oficial, estima-se que o secretário de Estado americano explique ao governo paquistanês os planos de Washington para o futuro do Afeganistão, após a eventual queda do regime Taleban. Negociações Nas últimas horas, enquanto as bombas e mísseis americanos continuavam a cair sobre o território afegão, alguns movimentos indicavam que negociações entre o Taleban e o governo paquistanês podem estar sendo iniciadas. Depois da viagem do embaixador do Paquistão em Islamabad, Abdul Salam Zaeef, para Kandahar - quartel-general do Taleban -, no sábado, o ministro de Relações Exteriores da milícia que controla o Afeganistão, Mauvi Ahmad Muttawakil, teria chegado a Islamabad hoje, segundo informações de uma agência de notícias dos Emirados Árabes. Consultado pela AE, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, Riaz Mohammad Khan, não confirmou nem desmentiu a presença de Muttawakil no país, afirmando apenas que "muito do que se ouve sobre negociações entre Islambad e o governo do Afeganistão não passa de especulação". O jornal de Islamabad em língua inglesa, The News International informou hoje que a presença de Muttawakil no Paquistão pode significar também uma divisão na liderança do Taleban. Alguns líderes da milícia islâmica não estariam de acordo com a insistência do líder supremo do Taleban, mulá Mohammed Omar, em não entregar o terrorista saudita Osama bin Laden, acusado de ser o responsável pelos ataques terroristas de 11 de setembro. Bin Laden é casado com uma das filhas de Omar. Embora o presidente americano, George W. Bush, tenha rejeitado de imediato uma proposta do Taleban de entregar Bin Laden para um país neutro - caso os EUA parassem com os ataques e apresentassem as provas contra ele -, a oferta, em si, foi considerada como uma demonstração de flexibilização da milícia afegã. Em outra indicação de negociações, o rei deposto do Afeganistão, Mohammad Zahir Shah, exilado em Roma, enviou uma delegação para conversar com Musharraf. Um futuro governo afegão formado por uma ampla base, na qual estejam representados todos os grupos étnicos e lingüísticos do país, seria muito mais bem aceito por Islamabad do que um governo do grupo Aliança do Norte, que congrega tajiques, usbeques e persas - rivais dos pashtuns, que são maioria no Taleban e no oeste do Paquistão. Também hoje, Musharraf reuniu-se com os comandantes das 11 regiões do Exército do Paquistão no quartel-general das Forças Armadas, em Rawalpindi, cidade próxima de Islamabad. Fontes oficiais informaram que a reunião serviria para Musharraf informar seus colegas generais sobre a posição do governo após o início dos bombardeios contra o Afeganistão. No dia 7, horas antes do primeiro ataque anglo-americano contra Cabul, Musharraf causou tensão nos quartéis ao promover uma reformulação do comando das Forças Armadas, removendo de postos-chave oficiais mais simpáticos ao regime do Taleban e forçando generais que o ajudaram a desfechar o golpe de 1999 - que derrubou do poder o primeiro-ministro Nawaz Sharif - a passar para a reserva. Analistas ouvidos pela AE afirmaram que a reunião teve como objetivo reconciliar Musharraf e a cúpula militar do país.Leia o especial

Agencia Estado,

15 Outubro 2001 | 16h26

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