REUTERS/Heino Kalis
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PP ganha eleições locais na Espanha, mas perde poder para a esquerda

Partido do premiê Mariano Rajoy caiu mais de 10 pontos em comparação com eleição anterior; Madri e Barcelona serão governadas por candidatos de partidos recém-criados

O Estado de S. Paulo

25 de maio de 2015 | 10h20

MADRI - O governante Partido Popular (PP, de centro-direita) ganhou as eleições municipais realizadas no domingo na Espanha em votos e vereadores, mas perderá poder em importantes prefeituras, como a da capital, Madri. Tanto na capital quanto em Barcelona, a segunda cidade do país, os prefeitos deverão ser de partidos muito recentes, que nasceram do movimento dos indignados.

Com cerca de 99% das urnas apuradas, o PP ganhou as eleições locais com 27,02% dos votos - o resultado representa, porém, uma queda de mais de dez pontos em comparação com o resultado de quatro anos atrás. Em segundo lugar ficou o PSOE (socialista), com 25,02%, dois pontos e meio a menos que em 2011.

Embora ambos os partidos, que durante as três últimas décadas se revezaram no poder, tenham se mantido nos dois primeiros postos, os espanhóis penalizaram claramente o bipartidarismo tradicional e deram espaço para duas formações que serão chave no tabuleiro político espanhol: Podemos (esquerda radical) e Ciudadanos (centristas liberais).

O PP, que governava com comodidade na maioria das regiões e prefeituras espanholas, sofreu um forte desgaste e agora terá que fazer acordos com outras forças se quiser conservar uma parcela mais significativa de poder.

Mas a formação dessas alianças será mais difícil em várias regiões, onde a união de formações de esquerda pode deixá-lo fora dos governos, assim como em importantes prefeituras. O caso de mais destaque é Madri, onde o PP governava desde 1991 e onde provavelmente perderá, dando lugar como prefeita a Manuela Carmena, uma antiga juíza de 71 anos que representa um movimento surgido dos "indignados".

O mesmo acontece em Barcelona, onde a próxima prefeita provavelmente será Ada Colau, uma jovem ativista famosa por liderar a luta contra os despejos de inquilinos que afetaram muitas famílias em razão da crise econômica.

Em Bilbao devem governar os nacionalistas do PNV, embora precisem de apoios, enquanto em Sevilha os socialistas voltarão a governar, e em Valência os conservadores poderiam manter a prefeitura, mas com a condição de fazer acordo com outros partidos.

Madri e Valência foram durante mais de duas décadas os principais celeiros de votos do PP e a queda foi significativa, provocada pelo desgaste de governar durante a atual crise econômica e pelos vários casos de corrupção que afetaram conhecidos dirigentes.

O domínio do PP na política espanhola se traduzia até agora também no controle da maioria das comunidades autônomas.

A noite eleitoral certificou o afundamento de Esquerda Unida, uma coalizão nuclear em torno dos comunistas, assim como o dos centristas do UPyD, cujos votos migraram para o Ciudadanos, partido com o qual havia se recusado a coligar.

O líder da centro-direita e primeiro-ministro, Mariano Rajoy, convocará nesta segunda-feira a direção de seu partido para analisar os resultados. Outros partidos farão o mesmo para começar a avaliar as possibilidades de pactos que podem abrir uma nova forma de fazer política na Espanha. / EFE

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