Jose Jordan | AFP
Jose Jordan | AFP

PP tem maioria dos votos na Espanha, mas formação de coalizão fica incerta

Partidos estreantes conseguem números elevados de cadeiras no Parlamento e impõem ‘bloqueio’ às negociações políticas para composição de um governo com maioria

Andrei Netto, ENVIADO ESPECIAL / MADRI, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2015 | 20h58

A Espanha rompeu com 32 anos de bipartidarismo, mas nenhuma legenda obteve o controle do Parlamento nas eleições gerais deste domingo. Vencedor em número de votos, o atual primeiro-ministro, Mariano Rajoy, do Partido Popular (PP), terá a maior bancada, com 123 deputados. Mas, sem a maioria absoluta de 176 deputados, terá de negociar uma coalizão vista como improvável por analistas, o que pode obrigá-lo a renunciar ou convocar novas eleições.

Considerada histórica, a eleição resultou em um grande impasse. Com 99,69% dos votos apurados, Rajoy, do PP, obteve 28,7% do total. Em segundo lugar, ficou Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), com 22,02% do eleitorado e uma bancada de 90 deputados. O terceiro posto ficou com o radical de esquerda Pablo Iglesias, do Podemos, com 20,65% dos votos e 69 deputados. Em quarto lugar, está Albert Rivera, centrista do Ciudadanos, com 13,93% dos votos e 40 parlamentares. 

Com os resultados, nenhum partido obterá a maioria absoluta – nem mesmo eventuais coalizões entre PP e Ciudadanos ou entre PSOE e Podemos serão capazes de resolver o impasse.

Em um país marcado pelos escândalos de corrupção do atual governo e com 4,5 milhões de desempregados – 21% da população ativa –, os maiores perdedores das eleições de 2015 foram os partidos tradicionais, que recuaram em relação a 2011 e perderam a hegemonia. O PP perdeu mais de 60 deputados, enquanto o PSOE, que já havia obtido o pior escore de sua história há quatro anos, voltou a recuar perdendo 20 assentos. Juntos, os dois partidos que se alternaram no poder desde 1982 conquistaram 213 das cadeiras e poderiam até governar em coalizão, mas a hipótese foi rechaçada por Rajoy e Sánchez.

Em pronunciamento no início da madrugada, Rajoy reivindicou a vitória e o direito de “tentar formar” um gabinete. “Ganhamos mais uma vez as eleições. Quem ganha deve tentar formar o governo”, alegou, prometendo diálogo em uma “etapa difícil”. “Vou tentar formar governo e creio que a Espanha necessita um governo estável.”

Sánchez reconheceu a vitória do PP. “Os espanhóis decidiram hoje que o PP e Mariano Rajoy sejam a primeira força política da Espanha”, disse. “Corresponde à primeira força política tentar formar um governo.” O socialista, no entanto, deixou entrever que, caso o conservador fracasse, vai tentar reunir os apoios para governar.

Segundo analistas, o cenário é o mais imprevisível possível. “É absolutamente impossível saber o que vai acontecer, porque nem PP e Ciudadanos, de um lado, nem PSOE e Podemos, de outro, têm votos suficientes para chegar à maioria”, disse ao Estado na noite deste domingo o cientista político Manuel Cervera-Marzal, da Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais (EHESS).

Para Cervera-Marzal, há dois desfechos mais prováveis. O primeiro seria a formação de um governo de minoria por parte de Rajoy, contando com a hipótese de que deputados do PSOE concordem em se abster no momento de um voto de confiança. Outra opção seria uma união das forças de esquerda, lideradas por Sánchez. Caso nenhum governo se forme, novas eleições serão convocadas.

O certo é que os partidos emergentes, Podemos e Ciudadanos, confirmaram o papel de fiéis da balança. Ontem, tanto Iglesias quanto Rivera pediram reformas da Constituição e do sistema eleitoral. “Hoje nasceu uma nova Espanha, que inaugura uma nova etapa política no país”, disse o líder do Podemos, sugerindo que reformas sejam condição para um apoio do partido a um futuro premiê.

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