Prazo para Iraque recebe apoio de países-chave

Os cinco membros permanentes e comdireito a veto no Conselho de Segurança (CS) da Organização dasNações Unidas (ONU) - China, Estados Unidos, França,Grã-Bretanha e Rússia - concordaram hoje em fixar umprazo-limite para que o Iraque aceite o retorno dos inspetoresde arma de destruição em massa a seu território, informou ochanceler britânico, Jack Straw. Os ministros de Relações Exteriores das cinco nações sereuniram informalmente num almoço em Nova York com osecretário-geral da ONU, Kofi Annan, para analisar a questão, umdia depois de o presidente George W. Bush ter feito naAssembléia-Geral da organização um discurso no qual pressionoupor medidas para forçar o país a cumprir as resoluções jáexistentes do CS. Antes do almoço, o secretário norte-americano de Estado, ColinPowell, indicou que pressionaria pela adoção de uma resolução"severa, muito severa", que inclua uma data-limite e "nãoseja do tipo das firmadas no passado". Ao contrário de Bush, que hoje falou em "dias ou semanas",Powell se negou a apontar o prazo, ressaltando que a decisãocaberá a todos os integrantes do CS - ele se reuniu também comrepresentantes de todos os outros 14 países-membro. Diplomatas na ONU disseram ser improvável a aprovação de umaresolução-ultimato antes de meados da semana que vem, pois oschanceleres terão de consultar seus governos. Qualquer um dos 15membros do CS pode apresentar uma proposta nesse sentido, emborasó os cinco permanentes tenham direito a veto. O objetivo éobter aprovação unânime, evitando, assim a possibilidade de otexto ser vetado. "Há unanimidade sobre a violação patente, flagrante por partede Saddam Hussein (o presidente iraquiano) de uma série deresoluções do Conselho de Segurança sobre as armas de desturiçãoem massa, e muito mais", disse Straw aos jornalistas após oalmoço. "Não chegamos a uma conclusão sobre o estabelecimento de umprazo ao Iraque, mas se pode dizer que existe um claroentendimento de que, ao se exigir imperativamente o retorno dosinspetores, isso deve implicar um prazo." Em um comunicado em nome dos cinco membros permanentes do CS,o chanceler russo, Igor Ivanov, destacou que os ministrosconcordaram que o desacato iraquiano das resoluções "é umproblema muito sério e que o Iraque deve pô-las em prática". "Se ele (Saddam Hussein) se recusar a cooperar com o Conselhode Segurança da ONU, o governo iraquiano terá de assumir aresponsabilidade pelas conseqüências." Tradicionalmente, a Rússia mantém boas relações com o Iraque,tendo até acordos de cooperação econômica e tecnológica comBagdá, razão pela qual vem insistindo em uma ação diplomática.No entanto, o Kremlin manifestou apoio à elaboração de umaresolução obrigando o Iraque a acatar as determinações do CS. A China também está participando ativamente da busca de umasolução diplomática. Não está claro, porém, se esses dois paísesvetariam um ataque ao território iraquiano, caso Saddam nãoacate as resoluções. A ministra da Defesa francesa, Michele Alliot-Marise, frisouque "a lei internacional deve prevalecer e a França nãoparticipará de nenhuma ação não endossada pelo CS da ONU". Dirigentes do Egito, Arábia Saudita, Síria e Jordânia - osquatro países árabes mais influentes no Oriente Médio - poderãorealizar uma minicúpula do mundo árabe nos próximos dias parapressionar Saddam a autorizar o regresso dos inspetores,informou hoje a imprensa egípcia. Os governos egípcio e jordaniano têm pressionado Bagdá aevitar a possibilidade de sofrer um ataque e mergulhar a regiãonuma séria crise. "Enviamos um apelo, e pedimos a nossos irmãos no Iraqueresponder a este pedido e aceitar o retorno dos inspetores,conforme estabelece o Conselho de Segurança da ONU", informou ochanceler egípcio, Ahmed Maher, que recebeu bem o fato de Bushter ido buscar consenso na ONU em vez de partir para uma açãounilateral.

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