Prazo para retirada das Farc termina amanhã

Termina amanhã o prazo de 48 horas para que a guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) retire-se da área de 42.000 quilômetros quadrados que por três anos serviu de sede para as fracassadas negociações de paz com o governo, rompidas ontem à noite. Enquanto os sinais de tensão política aumentavam no país, crescia também, tanto externa quanto internamente, a pressão sobre os dirigentes das Farc para que flexibilizassem suas demandas e adotassem a decisão de última hora de retornar à mesa de negociação. Durante o pronunciamento pela TV que fez na quarta-feira à noite, madrugada de hoje no Brasil, o presidente colombiano, Andrés Pastrana, confirmou o prazo dado aos guerrilheiros para deixar a área desmilitarizada, mas deixou aberta a possibilidade de o diálogo ser retomado. "O governo entende que as Farc não continuam na mesa e, em conseqüência, contam com as 48 horas já pactadas para se retirarem da zona desmilitarizada", discursou Pastrana. "Senhores das Farc: as garantias estão dadas e a vontade de negociar se mantém. Falta apenas que vocês cumpram sua palavra", acrescentou o presidente, deixando aberta a possibilidade de uma volta ao diálogo. O fim das negociações ocorreu depois de as Farc terem exigido que o governo levantasse os controles militares instalados na periferia da zona desmilitarizada, o que foi prontamente rechaçado pelas autoridades. Ante a insistência dos rebeldes nessa exigência, o representante do governo nas negociações, Camilo Gómez, anunciou a retirada da guerrilha do processo de paz e o prazo de 48 horas para a desocupação da área. Os postos de vigilância nas proximidades da região foram reforçados nos últimos meses, após denúncias de que as Farc estavam utilizando o território como base para suas operações de treinamento de guerrilha e cativeiro para os reféns seqüestrados pelo grupo. "As duas partes tornaram públicas posições cada vez mais radicais e foram reduzindo sua margem de manobra até forçar o fim do processo", assinalou o analista colombiano Alfredo Rangel. Logo após o anúncio de Gómez, as Forças Militares da Colômbia foram postas em alerta máximo - último grau de aquartelamento - para retomar o território concedido à guerrilha pelo governo Pastrana há três anos e garantir a segurança nas cinco cidades que se localizam na área. Pelo menos 13 mil homens de seis brigadas e quatro batalhões especiais do Exército estão prontos para recuperar a área, segundo o comandante do Exército, general Fernando Tapias. Nas maiores cidades do país - Bogotá, Medellín e Cali - a segurança foi redobrada para evitar ataques das Farc. Em Washington, o secretário de Estado americano, Colin Powell, lamentou que as Farc não tenham aproveitado "a oportunidade dada pelo governo do presidente Pastrana de negociar seriamente" e expressou apoio irrestrito ao governo colombiano. Os EUA mantêm tropas no território colombiano no âmbito do Plano Colômbia, um projeto para erradicar o poder dos cartéis de narcotráfico.

Agencia Estado,

10 Janeiro 2002 | 17h57

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