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Pré-candidata que ligou kirchnerista ao tráfico recebe ameaça de morte

Elisa Carrió diz ter recebido uma caixa com três balas de calibre 38 e um bilhete ameaçador de alguém identificado apenas como ‘chefe da venda de drogas'

RODRIGO CAVALHEIRO, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES

07 de agosto de 2015 | 20h34

BUENOS AIRES - A deputada argentina Elisa Carrió, que participou de uma denúncia feita no domingo contra o número 2 do kirchnerismo, Aníbal Fernández, por envolvimento com o narcotráfico e um triplo homicídio, recebeu uma caixa com três balas e uma carta anônima. O autor do bilhete se apresenta como chefe de uma organização de venda de drogas e faz ameaças.

"Já estamos radicados na Argentina. Investimos e temos proteção, por isso ficaremos, como no México e em outros países. Dividiremos os territórios entre nós e iremos atrás de suas famílias”, diz o bilhete, impresso e com erros de espanhol. Em outro trecho, o autor alerta: “Aviso porque preferimos não ter escândalos nem imprensa, por isso, parem de encher o saco e desapareçam”. 

A deputada não falou sobre a ameaça, dirigida também a Héctor ‘Toty’ Flores, pré-candidato a vice-presidente na chapa de Elisa, e à candidata a deputada Marcela Campagnoli. As balas de calibre 38 tinham as iniciais EC, TF e MC.

No domingo, no programa Periodismo para Todos, o jornalista Jorge Lanata entrevistou um preso que acusou Fernández, chefe de gabinete da presidente Cristina Kirchner, de lucrar com venda de efedrina e ser mandante dos assassinatos de três empresários farmacêuticos.

A afirmação partiu de um dos condenados pelo crime, Martín Lanatta. Ele disse que Fernández, então ministro de Segurança e Justiça, recebeu dele US$ 5 milhões provenientes da venda da droga sintética, usada na fabricação de ecstasy. 

A fachada do prédio do jornalista foi apedrejada depois da reportagem e cápsulas de balas foram encontradas no entorno. O repórter denunciou uma tentativa de intimidação, mas a Polícia Federal concluiu que os danos foram causados por uma briga entre indigentes. 

Fernández atribuiu a denúncia de Lanata a seus rivais kirchneristas nas primárias de domingo, quando participa como pré-candidato ao governo da Província de Buenos Aires, onde estão 37% dos eleitores do país. Seu adversário é Julián Domínguez, presidente da Câmara dos Deputados. Outro entrevistado pelo programa foi ouvido no apartamento de Elisa, algo criticado pela presidente Cristina em rede nacional na quinta-feira. 

“É um ‘aguantadero’”, disse sobre a residência da deputada, usando uma gíria de origem italiana para se referir a esconderijos de criminosos ou de mercadorias roubadas.

Guerra. Elisa denuncia regularmente Fernández por envolvimento com narcotráfico. O ministro já a processou e foi derrotado, segundo ele, “graças ao foro privilegiado da deputada”. Questionado sobre a ameaça, ele disse se solidarizar com Elisa. A deputada, uma das críticas mais frequentes do kirchnerismo, disse esta semana que se o governismo ganhar ela será morta.

O bilhete e as balas foram encontrados na quinta-feira no comício de fim de campanha de Elisa, que disputará amanhã a candidatura à presidência pela coalizão opositora Cambiemos. O indicado do grupo para disputar a sucessão de Cristina deve ser Mauricio Macri, prefeito de Buenos Aires. Segundo pesquisa da consultoria M&F divulgada nesta sexta-feira, 7, Elisa tem 2,1% das intenções de voto, ante 27% de Macri. 

O candidato mais votado na primária deve ser o kirchnerista Daniel Scioli, que aparece com 36,1% e não terá rival interno. Sérgio Massa, ex-kirchnerista, tem 12% das intenções e disputa com José de La Sota (6,8%) a indicação do grupo UNA.


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