Pré-candidato republicano nega caso de assédio sexual nos EUA

Duas mulheres acusam Herman Cain de conduta 'obscena' na época em que presidia uma associação nos anos 90

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2011 | 03h06

Primeiro colocado nas pesquisas entre os pré-candidatos republicanos à Casa Branca, o empresário Herman Cain afirmou ontem ter sido "falsamente acusado" de assédio sexual a duas funcionárias da Associação Nacional de Restaurantes, entidade que presidiu nos anos 90. A acusação veio à tona no fim de semana em reportagem do site Politico. Para evitar um processo judicial, Cain teria dado dinheiro às duas. Ele nega envolvimento no escândalo.

A candidatura de Cain começou a deslanchar há três semanas, quando ele propôs a adoção de uma alíquota única de 9% para imposto de renda de pessoas físicas, de empresas e sobre as vendas, o chamado "9-9-9".

O marketing e o estilo empresarial de Cain o fizeram disputar a ponta da corrida republicana com o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney. Na semana passada, Cain assumiu a dianteira, com 25% da preferência, segundo pesquisa CBS News / New York Times.

Com base em documentos, o Politico informou que as duas mulheres se queixaram de comentários e gestos obscenos feitos por Cain e do constrangimento causado pelos atos. Ontem, o empresário negou envolvimento no caso e afirmou ter delegado ao conselho e ao setor de recursos humanos da associação a tarefa de lidar com a situação.

"Isso é totalmente sem fundamento e falso. Eu nunca cometi nenhum tipo de assédio sexual", afirmou Cain, ex-presidente da rede de fast-food Godfather's Pizza. "Se a associação fez um acordo, eu não estava ciente. Isso é uma caça às bruxas."

Cain e seus assessores não falam sobre a possibilidade de retirar a candidatura, já que seus rivais republicanos também têm problemas. Visto como favorito, Romney é mórmon, como o ex-governador de Utah Jon Huntsman. Parte dos americanos não considera os mórmons autênticos cristãos.

Em terceiro nas pesquisas está o governador do Texas, Rick Perry, a quem os críticos chamam de "George W. Bush sem cérebro". Em seus 11 anos como governador, ele confirmou a execução de 236 condenados à morte. Com menores chances aparecem o ex-senador da Pensilvânia Rick Santorum, conhecido pela homofobia, e a deputada federal Michele Bachmann, cujo marido dirige uma clínica psiquiátrica que promete curar gays.

Também estão na disputa o deputado Ron Paul, profundo conhecedor de política externa, mas um liberal extremista a ponto de defender o fim da previdência social. Por fim, Newt Gingrinch, presidente da Câmara dos Deputados nos anos 90, também não consegue se destacar.

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