Precisamos agir imediatamente sobre a questão das armas

EUA precisam proibir compra de fuzis de uso militar

É COLUNISTA, EUGENE , ROBINSON, WASHINGTON POST, É COLUNISTA, EUGENE , ROBINSON, WASHINGTON POST, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2012 | 02h02

Não somos impotentes para parar o massacre de crianças inocentes.

Precisamos começar - hoje, neste minuto - a tirar armas das mãos de pessoas insanas. O primeiro passo deveria ser proibir armas de assalto de tipo militar como o fuzil que foi usado para transformar uma escola em Connecticut em matadouro.

Isso não será suficiente para acabar com toda a carnificina, mas salvará algumas vidas. É admirável que o presidente Barack Obama, membros do Congresso e outras autoridades eleitas estejam profundamente horrorizados e entristecidos com o que houve em 14 de dezembro em Newtown.

Mas o momento pede ação, não palavras. Os políticos que forem demasiado medrosos, estúpidos, ou ideologicamente rígidos para avançar finalmente no controle de armas terão o sangue de futuras vítimas em suas mãos. Precisamos começar com as armas.

Sim, há outros fatores que jogam seus papéis nessas execuções em massa. Precisamos falar sobre questões de saúde mental. Precisamos explorar por que o assassino é sempre um homem jovem perturbado cuja alienação foi notada por outros, mas não foi adequadamente tratada.

Precisamos examinar o impacto de videogames hiperviolentos em mentes impressionáveis. Precisamos lembrar que horrores como Columbine, Blacksburg, Aurora, Tucson e Newtown são estatisticamente insignificantes ante o derramamento de sangue diário em nossas ruas e nossos lares.

Mas precisamos começar em algum ponto. Se esperarmos por uma solução perfeita, abrangente e à prova de erros, não faremos nada. Um controle nacional de armas duro e aplicado agressivamente é a iniciativa isolada mais eficaz que podemos tomar. Seria vergonhoso esperarmos outro mês, outra semana, ou outro dia.

A Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês) e outros defensores da matança objetarão, é claro. Eles dirão que as leis de controle de armas de Connecticut já estão entre as mais duras do país, e não conseguiram impedir Adam Lanza de aniquilar 20 crianças e seis adultos na Escola Elementar Sandy Hook, sua mãe e ele próprio. Portanto, argumentam esses sofistas, o controle de armas não funciona.

Que besteira. A verdade é que o controle de armas é ineficaz porque as leis consideradas "duras" são, na realidade, tragicamente brandas. Não há nenhuma razão para um cidadão comum precisar ter um rifle semiautomático Bushmaster tipo AR-15 - a arma usada não somente em Newtown, mas na chacina no cinema de Aurora, no Colorado, e ainda na semana passada, num tiroteio mortal em um shopping perto de Portland, Oregon. Pelo menos essas armas de alta potência, desenvolvidas para ser usada por soldados, não por caçadores, deveriam ser proibidas - e entregues às autoridades para destruição.

A mãe de Lanza tinha o Bushmaster e várias outras armas em seu arsenal. Por causa da Segunda Emenda, é difícil imaginar uma lei que pudesse ter eliminado todas elas. Mas ela sabia que o filho de 20 anos tinha problemas psicológicos profundos. Ela deveria ao menos ter sido obrigada a manter suas armas trancadas à chave, fora do alcance dele.

Se você compra uma arma para "proteção", ela provavelmente nunca será disparada com ódio. A chance de um dia vir a usá-la para se defender contra um intruso é quase nula. Muito mais provável que o cenário da invasão do lar é que você venha a usar a arma contra você mesmo ou alguém que você conheça - outra pessoa na casa a use, talvez em si mesma, talvez em você.

O fato de alguns congressistas e comentaristas de direita terem reagido a Newtown pedindo que professores, diretores e guardas de segurança de câmpus estejam armados vai além do obsceno e do desprezível. Mais armas, com amadores atirando de todos os lados, com certeza significarão mais crianças mortas.

"Não podemos mais tolerar isso", disse Obama, no domingo, no serviço fúnebre em Newtown, a quarta cerimônia triste do gênero em que ele compareceu em seus quatro anos de governo. "Essas tragédias precisam acabar. E para acabar com elas, precisamos mudar. Dizem-nos que as causas dessa violência são complexas, e isso é verdade. Mas isso não pode ser uma desculpa para a inércia. Nós certamente podemos fazer melhor do que isso."

Nós podemos, e nós devemos. Devíamos começar com uma proibição estrita de armas de assalto. Eis 20 razões por quê: Charlotte Bacon. Daniel Barden, Olivia Engel Josephine Gay, Dylan Hockley, Madeleine Hsu, Catherine Hubbard, Chase Kowalski, Jesse Lewis, Ana Marquez-Greene, James Mattioli Grace McDonnell, Emilie Parker, Jack Pinto, Noah Pozner, Caroline Previdi, Jessica Rekos, Avielle Richman, Benjamin Wheeler, e Allison Wyatt. Todos tinham entre 6 e 7 anos. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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