'Precisamos de empregos para vencer o terror'

GENEBRA -O Al-Shabab, grupo terrorista somali responsável pelo massacre no shopping da capital queniana, não poderá ser vencido militarmente, avisa o premiê da Somália, Abdi Farah Shirdon. O representante do frágil governo com sede em Mogadíscio disse que as forças oficiais estão levando vantagem sobre os 5 mil militantes que restaram, mas a receita para erradicar o terrorismo passa pelo desenvolvimento. A seguir, a entrevista exclusiva ao Estado, em Genebra.

Entrevista com

Jamil Chade, Correspondente - O Estado de S.Paulo

25 Setembro 2013 | 02h07

O Al-Shabab diz que o ataque em Nairóbi é uma retaliação à ação de tropas quenianas na Somália. Como o sr. vê isso?

ABDI FARAH SHIRDON - O Al-Shabab tem ligações estreitas com terroristas da Al-Qaeda e foi um ataque covarde, que mostra como o terror não tem fronteiras. Esse argumento de que foi uma resposta ao Quênia não se justifica. Não temos problemas com nossos irmãos quenianos e suas tropas estão na Somália a pedido do nosso governo.

Qual é a posição somali?

ABDI FARAH SHIRDON - Nossos problemas de segurança afetam o Quênia. O Al-Shabab é hoje uma preocupação não apenas para a Somália, mas para a região e para o mundo. Estamos confiantes de que vamos contê-los. A Somália está totalmente solidária ao Quênia. Liguei para o presidente queniano para coordenar posições. A tragédia, de alguma forma, trouxe nossos países lado a lado. Temos um inimigo comum.

Como derrotar o terror somali?

ABDI FARAH SHIRDON - Temos mais de 70 mil soldados em nosso Exército nacional e acredito que a Somália deve liderar as operações, pois conhecemos a região e a situação. Mas ainda precisamos de apoio internacional. O Al-Shabab está ligado a grupos estrangeiros e nós precisamos de nossos parceiros. A realidade é que, nos últimos meses, o Al-Shabab havia sido enfraquecido. No entanto, o ataque mostrou que temos ainda um longo caminho pela frente.

Há quem defenda uma ação militar mais dura. O sr. concorda?

ABDI FARAH SHIRDON - Não há solução militar. Precisamos criar serviços públicos, criar desenvolvimento. O governo precisa criar postos de emprego. O desemprego e a pobreza são as bases desse grupo terrorista para atrair pessoas para sua ideologia. Por isso, precisamos criar oportunidades para jovens. O caminho é longo. Hoje, quatro em cada dez crianças na Somália vão à escola. É uma das taxas mais baixas do mundo. Precisamos encontrar lugar para mais 1 milhão de crianças.

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