Precisamos de um partido conservador

Com os radicais no comando do Partido Republicano, o próximo presidente - Obama ou Romney - não terá apoio para reerguer os EUA

THOMAS, FRIEDMAN, THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2012 | 03h03

Artigo

Ultimamente, tem sido comentado que a escolha de Paul Ryan para a vaga de vice na chapa republicana à Casa Branca contribuirá para um debate "real" sobre o papel do governo. É muito engraçado. O nível dessa campanha está tão baixo que comemoramos a possibilidade de ela favorecer uma discussão séria sobre apenas uma das quatro questões importantes com as quais os EUA se defrontam hoje.

Mesmo que a entrada de Ryan permita um debate sério a respeito de uma delas - a correlação entre dívida, impostos e dotações orçamentárias - não há muitos sinais de que possamos debater a fundo as outras três igualmente importantes. A primeira é como produzir crescimento e aprimorar a competência de todos os americanos numa época em que a revolução da tecnologia da informação faz com que os bons empregos exijam uma melhor educação. A segunda: como fazer frente aos desafios representados pela energia e pelo clima. E, por último, deve-se perguntar como criar uma política de imigração que trate de maneira humana as pessoas que estão ilegalmente no país, abrindo, ao mesmo tempo, os EUA aos imigrantes mais talentosos de todo o mundo, que se tornaram imprescindíveis para preservarmos nossa posição de economia mais inovadora do planeta.

O que preocupa mais ainda, entretanto, é que não precisamos apenas de debates. Aliás, o que mais tivemos até aqui foram debates. Assim que essa eleição acabar, precisaremos de acordos com os outros partidos nessas quatro questões e não percebo como isso poderá ocorrer se os moderados não retomarem o Partido Republicano das mãos dos "radicais" - ou seja, da base do Tea Party. No século 21, os EUA precisam desesperadamente de uma oposição "conservadora" séria, ponderada e confiável ao presidente Barack Obama. E não temos nada disso.

Não faremos nenhum progresso em relação aos nossos principais problemas sem um equilíbrio entre a centro-direita e a centro-esquerda. Mas, para tanto, precisamos de conservadores de centro-direita e não de radicais à frente do Partido Republicano. É preciso também uma centro-esquerda no Partido Democrata.

Ao longo de sua presidência, Obama propôs soluções de centro-esquerda para os quatro desafios. Gostaria que ele tivesse pressionado para conseguir a aprovação de algumas soluções de uma forma mais abrangente, mais coerente, mais ousada e mais enérgica, tornando-as o elemento central de sua campanha.

No entanto, se os republicanos se encontrassem num contexto diferente, num segundo mandato de Obama ou num primeiro mandato de Mitt Romney, haveria uma chance concreta de avançar nas quatro questões.

Na situação atual, há poucas esperanças de que essa campanha ofereça ao vencedor uma base para governar. O que é péssimo. É terrível desperdiçar uma campanha presidencial. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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