Preço alto estimula redução de subsídios agrícolas, diz Ban

EUA e a UE são criticados por sua relutância em reduzir subsídios e tarifas de produtos como algodão

Daniel Flynn, da Reuters,

21 de abril de 2008 | 16h08

A cotação elevada dos preços agrícolas cria uma oportunidade para a redução dos subsídios agrícolas nos países desenvolvidos, o que reduziria as distorções comerciais e a pobreza no mundo, disse na segunda-feira o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-Moon. Veja também: Especial: A crise dos alimentos  Falando a uma conferência da ONU sobre comércio e desenvolvimento em Gana, Ban defendeu que os países ricos e pobres definam um acordo comercial global para a redução das barreiras comerciais, o que ajudaria a atenuar a atual onda de aumento de preços, que provoca distúrbios na África, na Ásia e na América Latina. Ban disse, ainda, que a inflação global pode afetar a meta mundial de melhorar a situação das 1 bilhão de pessoas mais pobres. "Os preços elevados dos alimentos ameaçam cancelar os ganhos alcançados até agora no combate à fome e à desnutrição", disse Ban na reunião da Unctad (Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento) em Acra. "Eles salientam a importância de promover um sistema comercial aberto nas commodities agrícolas, o que beneficiaria países de todo o mundo", disse Ban. "Os preços elevados das commodities hoje representam uma oportunidade única para reduzir subsídios e tarifas que distorcem o comércio de produtos agrícolas", afirmou, num recado aos países ricos. Os Estados Unidos e a União Européia são criticados por sua relutância em reduzir subsídios e tarifas de produtos como algodão, embora pressionem os países em desenvolvimento a abrirem seus mercados industriais. O secretário-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, disse que até o final de maio pode haver um avanço na complicada Rodada Doha de negociações globais. A proposta em discussão reduziria em 75 por cento os subsídios domésticos com potencial para distorcer o comércio, segundo ele. "Há um consenso de que [o comércio] precisa ser reequilibrado em favor do desenvolvimento", disse Lamy no encontro da Unctad. "A África tem a ganhar com o acordo", acrescentou. Muitos países africanos dependem das exportações de petróleo, minerais, café e cacau, e Ban sugeriu que tais países aproveitem os lucros advindos da atual fase favorável nos preços para investir em seu desenvolvimento. Na opinião dele, a África poderia viver uma "revolução verde" na produção de alimentos caso investisse na sua infra-estrutura agrícola. Apelo contra a fome No curto prazo, ele pediu à comunidade internacional que doe 755 milhões de dólares para as atividades emergenciais do Programa Mundial de Alimentos da ONU. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou o apelo de Ban por uma ação contra a fome. "A escassez que vemos hoje se deve a práticas protecionistas dos países ricos. A produção de alimentos foi muito desestimulada pela existência dos subsídios", disse Lula no evento. De acordo com o presidente, o Brasil está disposto a conceder um acesso sem quotas nem tarifas a produtos oriundos dos países mais pobres. A Índia anunciou uma política semelhante neste mês. Lula acrescentou que o avanço do Brasil no campo dos biocombustíveis poderia ajudar a África a superar a sua escassez energética sem prejudicar o meio ambiente e a segurança alimentar.

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