Preço de alimentos sobe em área afetada pela fome na África

ONU afirma que crise é a pior no continente em duas décadas e teme pelo aumento de refugiados

Agência Estado

10 de agosto de 2011 | 17h59

 

 ROMA - Os preços dos cereais no leste da África voltaram a atingir novos picos de alta em meio a uma situação já dramática na qual milhões de pessoas sofrem os efeitos diretos da seca e da fome na região, advertiu nesta quarta-feira, 10, a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, conhecida pelas iniciais em inglês FAO.

 

Em Roma, onde funciona a sede da FAO, a entidade informou que o preço do leite também atingiu recorde e encontra-se em nível demasiadamente elevado na maior parte dos países da região. Segundo o órgão, o preço elevado dos alimentos deriva de uma combinação de fatores, desde a perda das safras por conta da seca à elevação do preço dos combustíveis e do transporte.

A ONU estima que dezenas de milhares de pessoas já tenham morrido por conta dos efeitos da desnutrição na Somália nos últimos meses. inda segundo cálculos da entidade, cerca de 12 milhões de habitantes de países como o Quênia, a Somália, a Etiópia e o Djibuti precisam de ajuda alimentar imediata por conta da seca.

 

Crise e refugiados

 

De acordo com Catherine Bragg, da Unidade de Análise de Segurança Alimentar e Nutrição da ONU, "a atual situação representa a pior crise humanitária atual no mundo e a pior crise de segurança alimentar na África desde 1991". Ela ainda disse que os cuidados alimentares são essenciais, uma vez que, iniciado o período das chuvas em outubro, há riscos de doenças devido ao difícil acesso a água potável.

 

O número de refugiados é outra preocupação da ONU, já que deve aumentar, disse Luca Alinovi, da FAO. Se houver muito mais deslocados, é possível que os esforços humanitários não sejam suficientes. "A perspectiva é desastrosa se todos os que vivem nas áreas de crise migrarem", disse. Segundo ele, o órgão tenta estimular os somalis a não deixar suas plantações, pois quando as abandonam, passam a depender de ajuda humanitária por um período muito longo. As informações são da Associated Press.

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