Preço do gás faz Parlamento da Ucrânia demitir o governo

O Parlamento da Ucrânia votou pela demissão de todo o gabinete de governo, devido a um acordo fechado com a Rússia, por meio do qual Kiev passará a pagar quase o dobro do preço que pagava antes pelo gás natural fornecido por Moscou. Entretanto, o primeiro-ministro, Yuri Yekhanurov, e o ministro da Justiça, Serhity Holovaty, asseguraram que a medida carece de fundamentos legais. Yekhanurov afirmou que ele e seus ministros continuarão trabalhando, apesar de a demissão ter sido aprovada por 250 votos a favor e 50 contra no Parlamento."O gabinete pode ser composto somente depois da realização de eleições, tendo como base uma coalizão parlamentar, que deve ser formada dentro do Parlamento no prazo de um mês depois de novas eleições", disse Serhiy Holovaty. O líder de oposição, Nestor Shufrych, admitiu que a resolução parlamentar carece de força de lei, e alegou que a medida tem como objetivo impedir o gabinete de governo de tomar decisões.Na semana passada, Rússia e Ucrânia encerraram uma ríspida disputa por causa do preço subsidiado, pago pelo governo ucraniano pelo gás natural russo. Pelo acordo anterior, a Ucrânia pagava US$ 50 por mil metros cúbicos de gás natural russo. Em média, o gás natural russo é vendido a US$ 240 por mil metros cúbicos no mercado europeu. A diferença era subsidiada pela companhia estatal russa Gazprom.A Rússia pretendia cortar o subsídio e elevar o preço a US$ 230 por mil metros cúbicos, mas na semana passada os dois países chegaram a um acordo para que o gás natural fosse vendido à Ucrânia por US$ 95 para cada mil metros cúbicos.Em meio à crise, desencadeada no auge do rigoroso inverno da região, o governo russo acusou a Ucrânia de desviar, para uso próprio, parte do gás natural russo que passava por seus gasodutos para abastecer consumidores na Europa Ocidental. Kiev negou a acusação, alegando que a taxa de trânsito de gás natural por seus gasodutos era paga em fornecimento de gás.Enquanto o primeiro-ministro qualifica o acordo como um "compromisso necessário" para impedir que a Ucrânia seja privada de gás natural, a oposição queixa-se que o preço é alto demais para as indústrias do país e acabará sendo pago pelos consumidores.

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