Preço dos alimentos permanecerão voláteis na próxima década--ONU

Os preços dos alimentos devem ficar cada vez mais voláteis nos próximos dez anos, com a oferta não conseguindo fazer frente à demanda e as mudanças climáticas tornando mais frequentes as fases de instabilidade climática, disse na quarta- feira o presidente da agência de desenvolvimento agrícola das Nações Unidas. Lennart Bage disse numa reunião do conselho diretor da Fida em Roma que a demanda global de alimentos deve subir 50 por cento até 2030 e dobrar até 2050. Ao mesmo tempo, o crescimento da produtividade agrícola, que era de 4 ou 5 por cento nos anos 1970 e início dos anos 1980, caiu para 1 a 2 por cento. Em sete dos últimos nove anos o consumo global de grãos foi maior que a produção. "Contra esse pano de fundo, o mau tempo em qualquer região produtora importante, ou outros fatores temporários, vão facilmente levar à alta nos preços dos alimentos", disse Bage. "Com as mudanças climáticas elevando a frequência de estiagens e enchentes, podemos prever uma volatilidade muito maior dos preços dos alimentos na próxima década", disse ele. Embora a recessão econômica global tenha puxado os preços dos alimentos para baixo em relação ao pico atingido em junho de 2008, eles permanecem muito altos de modo geral, especialmente nos países em desenvolvimento. Com potencial limitado de aumento da terra disponível para cultivo, a maior parte do aumento da produtividade terá que vir de rendimento maior em terras já existentes. "É preciso que a produtividade volte a crescer entre 3 e 5 por cento ao ano. Isso é algo que não acontecerá no piloto automático. Vai exigir atenção política e investimentos muito maiores", disse Bage. A maioria dos 500 milhões de pequenos produtores agrícolas do mundo apresenta produtividade muito baixa, especialmente nos países mais pobres, porque não tem acesso a variedades de sementes modernas, de alta produtividade, ou fertilizantes, e dependem da chuva, que é inconstante. Bage disse que nos próximos quatro anos a Fida vai disponibilizar 3,7 bilhões de dólares em apoio a projetos agrícolas e ajudará 70 milhões de pequenos produtores a aumentar sua produtividade e sua renda.

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