Preços congelados causam pânico em mercados do Zimbábue

Medida para combater hiperinflação no país leva centenas de pessoas às lojas

13 Julho 2007 | 15h28

Diversos mercados e lojas do Zimbábue foram tomados por centenas de consumidores nesta sexta-feira, 13, após o anúncio da medida de congelamento de preços, causando pânico e esvaziando ainda mais as prateleiras das lojas, segundo noticia o jornal The Times nesta sexta. A medida governamental, que causou uma corrida às lojas entre a população na tentativa de tirar proveito das reduções de preços aceitas por alguns comerciantes, entrou em vigor depois que o preço de artigos da cesta básica triplicaram em menos de uma semana. A medida visa combater a hiperinflação no país - a mais alta do mundo. O Zimbábue, outrora um dos países mais prósperos da África meridional, se encontra imerso desde 2000 em uma profunda crise econômica, caracterizada pela hiperinflação, um alto índice de desemprego, a pobreza e uma crônica escassez de combustíveis, alimentos e moedas estrangeiras. Mugabe acusa os fabricantes pela alta dos preços. Por sua vez, os empresários reclamam da falta de dinheiro para repor os estoques, pagar seus funcionários e, por fim, realizar novos negócios. Os economistas antecipam que o congelamento de preços irá acabar afundando o que ainda está de pé na indústria zimbabuana, já que os fabricantes não poderão continuar produzindo com prejuízo. Fiscalização Obert Mpofu, chefe do Gabinete de Força-Tarefa de Monitoramento e Estabilização de Preços, afirma que os comerciantes, ao invés de serem forçados a baixar os preços, era esperado que cortassem os benefícios de seus trabalhadores. Contudo, os empregadores que se negaram a aceitar as medidas estão tendo de enfrentar prisões ou pagar pesadas multas. Os supermercados estão vazios, dezenas de ônibus foram confiscados e mais de 2.700 trabalhadores foram presos depois que o governo mandou inspetores às ruas para conferir a estabilização dos preços. O Índice anualizado de Preços ao Consumidor (IPC) no Zimbábue aumentou no final de maio para 4.530%, o maior do mundo, mas instituições financeiras independentes estimam que o verdadeiro nível da inflação no país ronda atualmente os 9.000% ao ano. Nesta sexta, o governo publicou novas medidas banindo as importações de bens sem permissão. Dessa forma, serão banidos centenas de comerciantes informais que viajam para as cidades da África do Sul e Botswana em busca de produtos baratos para revenda no Zimbábue. Os conhecidos "negociadores de fronteira" são os responsáveis por introduzir no mercado desde objetos de necessidade básica como bens de luxo. Falências Os diretores de empresas afirmam que as reduções nos preços ordenadas pelo governo os forçará a fechar suas companhias. Os fabricantes, cujas indústrias já estão trabalhando a um terço de sua capacidade, asseveram que a alta nos preços é plenamente justificada porque eles devem passar para a cadeia até o consumo o custo das moedas estrangeiras necessárias para importar as matérias-primas que lhes permitam continuar produzindo. Mas as autoridades de Harare os acusam de fazer parte de uma campanha política e econômica orquestrada pelo Ocidente para derrubar o presidente zimbabuano, Robert Mugabe, que ocupa o poder desde a independência do país do Reino Unido, em 1980. Além disso, o movimento econômico de Mugabe pode aumentar ainda mais o nível de violência no país, que já apresenta níveis endêmicos de atentados, com políticos governistas e oposição protestando uns contra os outros com ataques regulares. Cerca de 25% da população já deixou o país desde que a economia começou a decair. Isso significa que 1 milhão de pessoas deixaram a nação onde mais de 80% dos adultos estão desempregados.

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