Piroschka van de Wouw/REUTERS
Piroschka van de Wouw/REUTERS

Prefeita de Amsterdã quer acabar com vitrines que exibem prostitutas

O conhecido Distrito da Luz Vermelha, no centro da cidade, é alvo de um projeto de reformulação apresentado pela nova prefeita; 'mudanças sociais' e alto número de turistas estão entre as justificativas para o encerramento

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2019 | 16h02

AMSTERDÃ - A primeira prefeita de Amsterdã, Femke Halsema, apresentou um projeto nesta quarta-feira, 3, de reformulação do Distrito da Luz Vermelha, bairro na região central da cidade voltado para a prostituição.

A região é conhecida por ter bordéis com vitrines, onde as profissionais do sexo ficam expostas para a rua.

Os planos incluem quatro pontos principais: incluir cortinas para acabar com as vitrines, fechar todos os bordéis no centro da cidade e transferi-los para outros locais, reduzir o número de bordéis no centro da cidade e intensificar as permissões de trabalho que regularizam a profissão.

Halsema justifica que tem como objetivo melhorar as condições de trabalho das prostitutas, reduzir a taxa de crimes e diminuir o turismo na região, localizada no centro da cidade no distrito de Wallen, próxima ao canal. As mudanças sociais, como o aumento do tráfico humano, também são parte da pauta da prefeita.

“Somos forçados pelas circunstâncias porque Amsterdã muda”, argumentou Femke em uma entrevista antes do lançamento.

“Para muitos visitantes, as trabalhadoras do sexo se converteram em uma atração visual. Em alguns casos, isso é acompanhado de um comportamento perturbador e uma atitude desrespeitosa para com as trabalhadoras nos mostruários”, informa o texto da prefeitura. “Ao mesmo tempo, houve um grande aumento da prostituição clandestina”.

As propostas, delineadas em um relatório intitulado “O Futuro da Prostituição nas Vitrines de Amsterdã” também incluem um projeto mais abrangente para uma nova “zona erótica” afastada do centro, que teria até um portão de entrada, semelhante a um sistema usado em Hamburgo, segundo a prefeita.

Mesmo assim, a cidade também poderia aumentar o número atual de 330 mostruários na Luz Vermelha, ou até criar um hotel só para as prostitutas.

A prefeita se reunirá com trabalhadores do sexo, residentes e comerciantes locais neste mês, e as propostas devem ser discutidas em setembro pelo conselho municipal. Uma delas será escolhida e submetida a votação no fim do ano.

O Distrito da Luz Vermelha é um dos pontos turísticos para os 18 milhões de turistas anuais da maior cidade holandesa. Como a prostituição foi legalizada na Holanda em 2000, os trabalhadores sexuais devem se registrar na câmara de comércio local e pagar impostos sob sua renda.

Cerca de 7 mil pessoas estão registradas neste setor em Amsterdã, e 75% são originárias de países do Leste Europeu, segundo dados oficiais.

Oposição

Tentativas anteriores de controlar o Distrito da Luz Vermelha enfrentaram a oposição de profissionais do sexo e comércios envolvidos. 

A prefeita afirmou que não há planos para tornar a prostituição ilegal na cidade. "Nós legalisamos porque acreditamos no passado e ainda acreditamos que a prostituição legal dão às mulheres a chance de ser autônomas, independentes. A criminalização da prostituição foi feita nos Estados Undidos, o que eu acho que deixa as mulheres muito vulneráveis", afirma Femke. 

As reações iniciais de trabalhadores do sexo foram controversas. "Se fecharem as vitrines, todos os profissionais do sexo não terão destaque, e será necessário muito mais pessoas para regular e verificar o trabalho. Então, eu não acho que vai funcionar" afirmou Foxxy Angel, uma profissional que usa um nome de trabalho.

Ela disse que muitas mulheres preferem trabalhar atrás das vitrines, onde as condições sanitárias são boas e elas podem fazer contato visual com os clientes. Porém, ela afirma que é verdade a alegação da prefeitura de que já houve problemas com o comportamento desrespeitoso de grupos de turistas sem guias.

"Os turistas não sabem se comportar nessa área", defendeu Angel, que também é integrante do movimento PROUD, que defende os interesses de profissionais do sexo. / AFP e REUTERS

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