Prefeito de Belém pede visita do papa

No 16º dia de impasse entre o Exército israelense e palestinos armados na Basílica da Natividade, o prefeito de Belém, Hana Nasser, disse hoje que pediria ao papa João Paulo II para ir à cidade sagrada em busca de uma resolução.Em Roma, autoridades do Vaticano não estavam disponíveis para comentar a idéia de uma visita papal à cidade, cercada há mais de duas semanas.Cerca de 200 palestinos armados esconderam-se na Basílica da Natividade em 2 de abril, escapando dos soldados israelenses envolvidos numa campanha militar para encontrar palestinos suspeitos de atentados contra israelenses.Hana Nasser disse que prosseguem as negociações com os israelenses para que se encontre uma solução para a crise, mas ele não tem esperanças de que haja uma solução no curto prazo."Se não chegarmos a um acordo razoável que possa proteger e garantir a integridade física daqueles que estão no interior da igreja, não terei outra escolha a não ser convidar o santo padre para vir à Terra Santa e visitar a cidade de Belém com o objetivo de salvar a mãe de todas as igrejas, a Basílica da Natividade", declarou Nasser.Israelenses, palestinos e líderes religiosos cristãos parecem distantes em seus pontos de vista sobre como o impasse deve terminar.Líderes das igrejas Católica, Ortodoxa e evangélica em Jerusalém propuseram uma solução no sábado ao secretário de Estado dos EUA, Colin Powell. Eles sugeriram que Israel se retirasse da cidade durante três dias para permitir que os palestinos armados dentro do complexo, tanto policiais como militantes, entregassem suas armas e voltassem para casa.Israel quer que os homens armados sejam julgados em Israel ou aceitem o exílio em algum país árabe, uma oferta que os palestinos dificilmente aceitarão.Israel promete não invadir a igreja de quase 1.700 anos, um dos lugares mais sagrados do cristianismo. O templo foi erigido sobre o local onde, segundo a tradição, nasceu Jesus Cristo.No entanto, ocorreram periódicas trocas de tiros durante as duas últimas semanas. O confronto mais recente ocorreu na noite de ontem. De acordo com palestinos no interior do complexo, duas salas da seção ortodoxa grega na basílica foram incendiadas, mas ninguém ficou ferido.O líder palestino Yasser Arafat, numa declaração feita após uma reunião hoje com Powell, condenou Israel pelo impasse. "O que dizer sobre esses vergonhosos ataques contra a Igreja da Natividade? Quem aceita isso internacionalmente? Quem pode aceitar uma coisa dessas contra um dos lugares mais sagrados do mundo?", questionou.Dentro da igreja, as condições são cada vez mais complicadas, disse um jovem palestino que passou duas semanas dentro do complexo antes de ser preso pelos soldados israelenses na segunda-feira. Jihad Abdel Rahman, em conversa com a Associated Press em sua casa no campo de refugiados de Dheisheh, nos arredores de Belém, disse ter sido apenas interrogado e libertado.Ele foi à igreja em busca de alguns amigos um dia depois de palestinos armados terem se refugiado no local, quando ainda era possível entrar. Abdel Rahman havia saído para comprar comida e decidiu retornar à noite para dormir lá dentro. Na manhã seguinte, quanto tentou voltar para sua casa, as forças israelenses haviam bloqueado todas as rotas de fuga, contou.Depois de duas semanas, ele decidiu se arriscar e pular um muro para sair dali. "Estava tão frio e a comida era tão escassa que eu decidi deixar a Igreja da Natividade", disse ele que aparenta ter menos que seus 16 anos.De acordo com ele, os homens armados no interior da basílica estão divididos em dois grupos para se revezarem na guarda do local.

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