Prefeito de Buenos Aires e aliado de Cristina disputarão 2º turno

Maurício Macri conquista quase 20 pontos porcentuais a mais que Daniel Filmus e deve ser reeleito no dia 31

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES

O atual prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, do partido de oposição Proposta Republicana (PRO), de centro-direita, venceu as eleições de domingo, com 47% dos votos, mas não obteve o apoio necessário para evitar um segundo turno, indicaram os resultados oficiais divulgados ontem.

O segundo colocado, Daniel Filmus, aliado da presidente Cristina Kirchner, obteve 27,7% dos votos para a Frente pela Vitória, a sublegenda kirchnerista do Partido Justicialista (peronista). O terceiro lugar na disputa ficou com o deputado Fernando Solanas, líder do Partido Projeto Sul, de esquerda, com 12,8% dos votos.

No dia 31, os dois políticos mais votados disputarão o segundo turno. Para analistas, a diferença de quase 20 pontos porcentuais entre Macri e Filmus garante uma confortável "margem de segurança" ao atual prefeito da capital argentina.

O bom desempenho da oposição no primeiro turno é um duro golpe para o governo Cristina. Especialistas chamam atenção para a "tendência anti-kirchnerista" do voto portenho. Tanto os tradicionais setores da esquerda quanto da direita votaram contra o candidato do governo.

O chefe do gabinete de ministros da presidente, Aníbal Fernández, tentou amenizar ontem o clima de derrota na Casa Rosada. Segundo ele, o volume de votos na capital - geralmente refratária ao governo - destinado ao candidato da presidente foi o maior desde 2003. Em 2007, na primeira vez em que foi candidato, Filmus obteve 22% dos votos, enquanto que nas eleições parlamentares de 2009 o governo conquistou 12% na cidade de Buenos Aires.

Caso "Clarín". Exames de DNA divulgados ontem revelaram que Marcela e Felipe Herrera de Noble, herdeiros do Grupo Clarín, a maior holding da imprensa argentina, não são os bebês que duas famílias acreditavam ter sido sequestrados durante a ditadura (1976-1986). As famílias afirmavam que os irmãos seriam crianças raptadas nos anos 70.

O caso Noble transformou-se em uma das principais bandeiras do governo Cristina, que mantém desde 2008 um duro confronto com o jornal Clarín.

PARA LEMBRAR

Cristina visitará Brasil em breve

A presidente Cristina Kirchner viajará a Brasília "provavelmente nos dias 10 ou 11 de agosto", segundo declarou o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antônio Patriota. A presidente aproveitará a visita para inaugurar o edifício da embaixada da Argentina, já que a representação diplomática do país vizinho está em instalações provisórias desde os anos 60.

Além disso, Cristina aproveitaria a viagem para conseguir uma foto ao lado da presidente Dilma Rousseff. Em agosto, a líder argentina estará prestes a lançar sua campanha pela reeleição - a votação ocorre em outubro - e Dilma é figura popular entre os argentinos.

A visita presidencial também é parte do Mecanismo de Integração e Coordenação Brasil-Argentina (Micba), que - coordenado pelas duas chancelarias - prevê reuniões semestrais dos presidentes de ambos os países para impulsionar projetos de cooperação tidos como "prioritários".

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