Fabio Motta|Estadão
Fabio Motta|Estadão

Prefeito de Manaus se recusa a receber vice-presidente dos EUA

'Respeite a soberania do meu país e o brio do povo amazonense. Não aceito a intervenção militar, nem por brincadeira. Por favor, volte para sua casa', tuitou o prefeito

O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2018 | 04h44

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, não recebeu na última quarta-feira, 27, o vice-presidente norte-americano, Mike Pence, durante a sua viagem à capital amazônica. Em Manaus, Pence visitou um centro de acolhimento para refugiados venezuelanos.

“Respeite a soberania do meu país e o brio do povo amazonense. Não aceito a intervenção militar, nem por brincadeira. Por favor, volte para sua casa”, tuitou o prefeito, um dirigente histórico do PSDB.

“O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) reconheceu o trabalho de acolhimento aos venezuelanos feito por Manaus. Não tente me ensinar a ser solidário. Os mexicanos podem falar sobre o tratamento que o seu país dá a eles.”, escreveu o prefeito.

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 O site da Prefeitura de Manaus explicou que Virgílio Neto “manifestou preocupação com a presença do grande aparato militar que acompanha a comitiva americana”. Também explicou que o prefeito destacou o trabalho humanitário feito com imigrantes venezuelanos em Manaus, “em comparação ao que vem sendo feito pelo governo norte-americano com os imigrantes mexicanos”.

O prefeito já havia adiantado na terça-feira, 26, que não receberia o vice-presidente devido às exigências impostas pelo protocolo de segurança da delegação norte-americana, que obrigava as autoridades locais a esperar duas horas no aeroporto antes da chegada de Pence.

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Pence viaja na companhia de sua esposa Karen, mas o prefeito de Manaus não poderia estar acompanhado de sua esposa, Elisabeth Valeiko Ribeiro, que preside o Fundo Manaus Solidário, responsável pelo acolhimento dos cidadãos venezuelanos.

Pence e Karen visitaram o Centro de Acolhimento Santa Catarina para refugiados em Manaus, onde conversaram com algumas famílias e rezaram por seu bem-estar. Eles também sobrevoaram a zona franca da capital amazônica e a mata, antes de se dirigirem a Quito.

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Milhares de venezuelanos começaram a chegar em dezembro de 2016 na capital amazônica, onde a situação é menos precária que em Roraima, fronteira com a Venezuela, que acolhe dezenas de milhares de pessoas que fogem da crise econômica e política.

Desde janeiro de 2017, a Polícia Federal de Manaus registrou 7.080 solicitações de asilo por parte dos venezuelanos.

 

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