Seth Wenig / AP
Seth Wenig / AP

Prefeito de Nova York anuncia pré-candidatura às eleições presidenciais dos EUA

'É preciso deter Donald Trump. Sou Bill de Blasio e me candidato à presidência porque é hora de colocar os trabalhadores em primeiro lugar', afirmou o democrata em um vídeo lançado nesta quinta por sua equipe de campanha

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2019 | 02h30
Atualizado 17 de maio de 2019 | 11h03

NOVA YORK, EUA - O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, anunciou nesta quinta-feira, 16, sua pré-candidatura às eleições presidenciais dos Estados Unidos de 2020. O democrata fez o anúncio em um vídeo lançado por sua equipe de campanha nesta manhã e se torna o 23.º pré-candidato pelo Partido Democrata.

"É preciso deter Donald Trump. Sou Bill de Blasio e me candidato à presidência porque é hora de colocar os trabalhadores em primeiro lugar", afirma o prefeito de 58 anos em um vídeo de três minutos publicado em sua conta no YouTube.

"Há muito dinheiro neste país, ele só está em mãos erradas", diz ele antes de enumerar seus feitos na prefeitura e os questionamentos que fez ao atual presidente americano sobre imigração e mudanças climáticas. "Sou de Nova York, sei que Trump é um valentão há muito tempo."

De Blasio menciona na gravação as políticas que implementou em Nova York para favorecer as "famílias trabalhadoras" desde que iniciou o seu mandato em janeiro de 2014. As pesquisas até agora são desfavoráveis a ele e os meios de comunicação nova-iorquinos, muito críticos a seu governo, tentaram, em vão, dissuadi-lo em sua decisão de apresentar sua candidatura.

A última pesquisa em que apareceu, publicada no início de abril pela Universidade Quinnipiac, indicava que, mesmo entre os nova-iorquinos, 76% dos eleitores não gostariam de vê-lo na briga pela indicação democrata, contra apenas 18% favoráveis.

Eleito com a promessa de reduzir as desigualdades após 12 anos de governo do bilionário Michael Bloomberg, De Blasio é um dos aspirantes presidenciais com postura mais à esquerda, como as do também pré-candidato Bernie Sanders

Casado com uma mulher negra, De Blasio é popular entre a comunidade negra. Mas, segundo as pesquisas, os hispânicos estão divididos a seu respeito, enquanto os brancos são majoritariamente críticos a seu mandato.

Em ações de pré-campanha, com visitas a Iowa, Carolina do Sul e New Hampshire, De Blasio disse que os EUA estão testemunhando "o nascimento de uma nova era progressista". Em entrevistas, ele afirmou que sua liderança em Nova York deve ser vista como um modelo de como "é possível fazer grandes mudanças progressistas e fazê-las de forma rápida".

Com postura mais próxima a de Sanders do que a de Hillary durante a campanha 2016, Bill de Blasio introduziu em Nova York a escola maternal gratuita para todos, elevou o salário mínimo a US$ 15 por hora e anunciou uma cobertura universal da saúde. Frente às inúmeras detenções de imigrantes em situação irregular pelo governo Trump, o prefeito multiplicou as medidas pró-imigração. Além disso, endossou um pacote de leis municipais diante da mudança climática.

Para se distinguir dos outros 22 pré-candidatos democratas, De Blasio se orgulha em seu vídeo de ter feito da metrópole americana "a mais segura cidade grande dos Estados Unidos", com um declínio contínuo no número de homicídios durante o seu mandato.

Mas o prefeito enfrentará uma mídia feroz contra ele, que denuncia a falta de resultados tangíveis frente à pobreza, sua falta de carisma, suas idas diárias ao Brooklyn para fazer academia e suas brigas com o governador democrata do Estado de Nova York, Andrew Cuomo. Neste contexto, vários de seus colaboradores alegaram que eram contra sua candidatura.

Mas De Blasio gosta de lembrar que ninguém acreditava em suas chances como prefeito em 2013, quando não passava de um vereador pouco conhecido. "Eu costumava ser o último nas pesquisas quando apresentei minha candidatura à prefeitura", disse ele no fim de janeiro. "Não é como você começa a corrida (que conta), é como você termina."

Polêmica com Bolsonaro

Em meados de abril, De Blasio criticou o presidente Jair Bolsonaro e o qualificou de "ser humano perigoso", racista e homofóbico. Além disso, ele também pediu que uma homenagem ao brasileiro programada para ocorrer no Museu de História Natural dos EUA fosse cancelada.

Bolsonaro então desistiu de receber o prêmio de Personalidade do Ano em Nova York. A cerimônia foi realizada na terça-feira, sem a presença do brasileiro, que decidiu receber a homenagem em Dallas.

Hoje, Bolsonaro disse que De Blasio agiu como um garoto de um centro acadêmico do Brasil ao protestar contra ele.

 

Perfil de Bill de Blasio

Nascido em Massachusetts, De Blasio se formou na Universidade de Nova York e se tornou um ativista de esquerda. Posteriormente, ele trabalhou nas campanhas de Hillary Clinton e Charles B. Rangel, para depois anunciar sua própria candidatura e se tornar vereador, defensor público e, depois, prefeito de Nova York.

Ele é casado com Chirlane McCray, coordenadora da ThriveNYC - iniciativa da cidade voltada para a saúde mental -, com quem tem dois filhos. / AP, AFP e NYT

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.