Prefeito de NY depõe em julgamento de acusado de 11/9

A última fase do julgamento contra o único processado nos Estados Unidos pelos atentados de 11 de setembro de 2001, Zacarias Moussaoui, começou nesta quinta-feira com o testemunho emocionado do ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani.O responsável pela cidade na época dos atentados revelou ao júri do caso que, a princípio, não quis acreditar que as pessoas estivessem pulando pelas janelas para tentar se salvar depois que os dois aviões bateram contra as Torres Gêmeas. "Foi um horror, não acreditava naquilo. Foi a pior coisa que já vi", disse o ex-prefeito.Nesta fase do julgamento, o júri deve decidir se Moussaoui será condenado à morte ou à prisão perpétua. Giuliani, que foi ao tribunal de Alexandria, no Estado da Virginia, - onde acontece o julgamento - cercado por seguranças, disse que a lembrança de duas pessoas pulando dos prédios o acompanhará por toda a vida.Ele também explicou que quando seus assessores disseram a ele, ao chegar no local, que a situação era crítica, "esperava que estivessem errados". Mas, depois de ver as pessoas caindo dos andares superiores do World Trade Center, ficou "gelado" e se deu "conta em poucos segundos" de que estava em "um terreno desconhecido".O ex-prefeito de Nova York disse que viu várias pessoas pulando, mas não sabe quantas, e contou que depois que o segundo avião bateu contra a outra torre, já sabia "com segurança que era um atentado terrorista".Giuliani deu seu depoimento pouco depois de os advogados de acusação transmitirem um vídeo com imagens das vítimas caindo das Torres Gêmeas.Caixa preta e ligaçõesO advogado de acusação Rob Spencer, que começou sua exposição ao júri alertando os parentes das vítimas de que nas próximas semanas ouviriam e veriam testemunhos muito duros, argumentou que escutar as vozes dos que morreram deveria ser tudo o que o júri precisa para condenar Moussaoui à morte.Nesta última fase, deve ser ouvida a gravação da caixa-preta do avião da American Airlines que caiu em 11 de setembro sobre um terreno na Pensilvânia. Os parentes já tinham ouvido esta gravação de 30 minutos em abril de 2002, acompanhados de psicólogos.A juíza deu nesta quinta-feira o prazo de até terça-feira para que as famílias das vítimas solicitem, se quiserem, que a gravação não seja divulgada e tenha apenas valor de testemunho no caso contra Moussaoui.Além disso, serão oferecidas as ligações que as vítimas fizeram para o número de emergência da cidade e para seus parentes através de telefones celulares.Spencer reproduziu a ligação de uma mulher que estava no 82º andar da última torre a cair. No telefonema, a mulher diz que está no chão sem poder respirar, e no final pergunta: "vou morrer, não?" O acusador afirmou ao júri que "os senhores não podem entender a magnitude desse dia até ouvirem das próprias vítimas".Em sua exposição, o advogado de defesa, Gerald Zerkin, reconheceu que todas as gravações terão grande impacto, mas pediu que o júri mantenha o "equilíbrio". Ele acrescentou que "(o júri) deve se abrir à possibilidade de que a sentença não seja a morte".Zerkin disse que Moussaoui recebeu pouca educação religiosa, e que caiu na influência de muçulmanos radicais durante sua estada em Londres. "(Moussaoui) escolheu se transformar em terrorista, e foi uma escolha da qual estava orgulhoso", afirmou.HistóricoEm 3 de abril, o júri concluiu que por causa das mentiras do terrorista ao FBI, pouco após ele ser detido em agosto de 2001, pelo menos uma pessoa morreu por causa dos atentados e, por isso, pode ser condenado à pena de morte ou à prisão perpétua, sem possibilidade de liberdade condicional.Moussaoui, francês de origem marroquina de 37 anos, foi detido em 16 de agosto de 2001, em Minnesota, e em 2005 reconheceu ser membro da rede Al-Qaeda, acusada de organizar os atentados.Em 11 de setembro de 2001, dezenove terroristas fizeram com que dois aviões batessem contra as Torres Gêmeas e outro contra o Pentágono. Uma quarta aeronave caiu em uma área rural na Pensilvânia.

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