Foto: EFE/EPA/YONHAP SOUTH KOREA OUT
Foto: EFE/EPA/YONHAP SOUTH KOREA OUT

Prefeito de Seul é encontrado morto após ser acusado de assédio

O caso está sendo tratado como suicídio depois que Park Won-soon desapareceu na quinta-feira, 9

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2020 | 03h31

O prefeito de Seul, ex-advogado de direitos humanos e potencial candidato às eleições presidenciais da Coréia do Sul, foi encontrado morto na sexta-feira, 10, em um aparente suicídio no dia seguinte ao de ter sido acusado de assédio sexual.

A morte de Park Won-soon, cujo corpo foi encontrado em uma montanha na capital, é o final mais dramático de um caso #MeToo na Coréia do Sul, uma sociedade patriarcal em que esse movimento derrubou muitos homens de destaque em diferentes áreas.

Se for confirmado, Park seria o político sul-coreano de mais alto escalão a cometer suicídio desde o ex-presidente Roh Moo-hyun, que se jogou de um penhasco em 2009 depois de ser questionado por acusações de corrupção. Não há indícios de um ato criminoso, segundo a polícia.

Sua filha deu alerta na quinta-feira, 9, quando não conseguiu entrar em contato com ele. Ela disse que o pai estava desaparecido e que deixou uma mensagem como se fossem suas "últimas palavras".

Park, um peso pesado no Partido Democrata, de centro-esquerda, governa a capital da Coréia do Sul há quase uma década, onde vive quase um quinto da população nacional.

Ele venceu três eleições, promoveu a igualdade de gênero e social e já havia expressado sua ambição de substituir o Presidente Moon Jae-in em 2022. 

Sua morte ocorreu um dia depois que sua ex-secretária apresentou uma queixa contra ele à polícia, aparentemente em um caso de assédio sexual. A Coréia do Sul continua dominada pelos homens, apesar de seus avanços econômicos e tecnológicos, mas o movimento #MeToo se espalhou nos últimos dois anos.

De acordo com um documento que supostamente é a declaração da vítima de Park, que trabalha como secretária pessoal desde 2015, ele cometeu "assédio sexual e gestos inapropriados durante o horário de trabalho", como insistir em que ela o abrace no quarto ao lado de o escritório dele.

Depois do trabalho, ela afirma, ele lhe enviou "selfies dele de cueca e comentários obscenos" em um aplicativo de mensagens.

"Eu destruí meu cérebro, suportando tremendo medo e humilhação, que tudo era para o bem da cidade de Seul, eu e o prefeito Park", disse ele, segundo o documento.

A polícia confirmou que uma queixa havia sido registrada, mas se recusou a confirmar os detalhes. /AFP

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