EFE/Jo?dson Alves
EFE/Jo?dson Alves

Prefeito foge da Venezuela para o Brasil

David Smolansky foi destituído pelo chavismo e tem uma ordem de prisão contra ele

Lu Aiko Otta, Brasília, O Estado de S.Paulo

14 Setembro 2017 | 21h53

Depois de passar 35 dias circulando clandestinamente pela Venezuela e usar disfarces em pontos de controle, David Smolansky, ex-prefeito de El Hatillo, chegou na quarta-feira ao Brasil. Integrante do partido oposicionista Voluntad Popular, ele foi acusado de impedir a livre circulação de pessoas nos protestos que bloquearam ruas dos últimos meses. Por isso, foi destituído e tinha contra si uma ordem de prisão.

“Foi uma saída por terra”, comentou ele, sem dar maiores detalhes, depois de se reunir com o chanceler Aloysio Nunes. Ao recebê-lo em seu gabinete, o ministro lembrou que esteve no exílio por 11 anos. 

O Brasil ofereceu refúgio ao venezuelano. Ele, porém, não decidiu onde pretende morar. No momento, sua prioridade é iniciar uma agenda de contatos na América Latina, América do Norte e Europa para denunciar a perseguição e as violações ao direito humano na Venezuela.

Smolansky deverá participar de eventos paralelos à Assembleia-Geral da ONU, na próxima semana, em Nova York. Depois, deverá seguir para a Europa. 

“Vim ao Brasil em primeiro lugar porque o chanceler Aloysio Nunes é uma pessoa muito solidária com a causa democrática da Venezuela, compartilha dos valores da liberdade, justiça, segurança”, explicou. Smolansky ressaltou o fato de ter sido recebido com as roupas informais com que empreendeu sua fuga da Venezuela: camisa e calça social.

Seu objetivo no exílio, disse ele, é organizar os venezuelanos que emigraram para pressionar pelo fim do regime de Nicolás Maduro. “Vou trabalhar incansavelmente até que Maduro e os cúmplices corruptos que o acompanham abandonem o poder”, afirmou.

O ex-prefeito se mostrou cético em relação à iniciativa da República Dominicana de intermediar um diálogo entre governo e oposição. Para ele, a adesão dos chavistas à proposta tem dois objetivos: ganhar tempo e legitimar-se perante a comunidade internacional.

“Meus avós saíram da União Soviética em razão do comunismo. Meu pai saiu de Cuba em razão da ditadura de Castro. Agora, preciso sair da Venezuela”, disse Smolansky. “Três gerações que em 90 anos foram vítimas de sistemas autoritários.”

Quando teve sua prisão decretada, em agosto, ele iniciou um período de 35 dias em que ficou “se movendo” clandestinamente pela Venezuela. Para passar pelos pontos de controle, ele tirou a barba que usou durante anos. Colocou óculos e um gorro.

Em perseguição a ele, os chavistas sequestraram um integrante do gabinete do ex-prefeito durante dez horas para tentar arrancar informações sobre seu paradeiro. Outros servidores também foram ameaçados. O mesmo aconteceu com membros de sua família.

Eleito prefeito mais jovem da Venezuela, aos 28 anos, Smolansky integra a chamada “geração 2007”, um grupo de oposição ao chavismo nascido nas universidades. Ele disse que tem sido perseguido por Maduro há pelo menos três anos, tendo sido uma vez conduzido ilegalmente a um interrogatório na prisão. Sua gestão à frente de El Hatillo foi eleita uma das três mais transparentes da Venezuela. Segundo avaliou, era um duro contraste à corrupção que toma conta do escalão federal.

 

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