Agencja Gazeta/Bartosz Banka/File Photo via REUTERS
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Prefeito na Polônia morre após ser atacado a facadas por motivação política

Polícia afirma que autor do crime agiu sozinho e por 'vingança política'; manifestações contra violência estão marcadas para ocorrer em toda a Polônia

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2019 | 13h13

VARSÓVIA - O prefeito da cidade polonesa de Gdansk, Pawel Adamowicz, morreu nesta segunda-feira, 14, após ser esfaqueado no coração e no abdômen na noite do domingo 13, informou o governo polonês. O ataque ocorreu durante o evento de caridade mais importante da Polônia e o político, de orientação liberal, chegou a ser reanimado e levado para o hospital, onde passou por cinco cirurgias, mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

O médico Tomasz Stefaniak, um dos integrantes da equipe que realizaou as cirurgias, havia afirmado na manhã desta segunda que o paciente estava “em condições sérias”, com ferimentos no coração, diafragma e órgãos internos. A cidade de Gdansk estava organizando uma campanha de doação de sangue para o prefeito.

No domingo, um homem de 27 anos, que afirmou se chamar Stefan e ser recém-saído da prisão, subiu ao palco do evento “Luzes para o Céu” e esfaqueou o prefeito, que desmaiou. O agressor então gritou para a multidão que cometeu o ato para se vingar politicamente do Plataforma Cívica, partido no qual Adamowicz começou a carreira.

O acusado diz que o partido o prendeu injustamente e foi responsável pelas torturas que ele sofreu na prisão no ano passado. “Foi por isso que Adamowicz morreu”, gritou o acusado.

Segundo as autoridades, o homem de 27 anos entrou no evento, aberto ao público e tradicional no país, com uma credencial de imprensa. A polícia acredita que ele agiu sozinho e de modo “irracional”. Agora, está sob custódia enquanto aguarda pelo interrogatório dos promotores. Stefan pode enfrentar acusações de tentativa de homicídio, com pena de prisão perpétua.

Uma porta-voz do partido Lei e Justiça, governista, condenou o atentado, chamando-o de “bárbaro”. O ataque deve “ser absolutamente condenado por todos, não importa o lado político em que eles estão, sejam políticos ou não”, afirmou.

Adamowicz, com 53 anos, era prefeito de Gdansk desde 1998 em seis mandatos como independente. Ele fez parte da oposição democrática que nasceu na cidade sob o governo de Lech Walesa na década de 1980. Como prefeito, defendeu educação sexual nas escolas, apoiou os direitos LGBT, participando da Parada do Orgulho LGBT, e demonstrou solidariedade com a comunidade judaica após ataque a sinagogas no ano passado.

Manifestações contra a violência foram marcadas para a noite desta segunda-feira em toda a Polônia. Em Gdansk, a bandeira da cidade está a meio mastro e uma missa foi marcada em homenagem ao prefeito.  / AP

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