Prefeito propõe dividir Bolívia

Líder de Santa Cruz defende criação de ?nação do oriente?, com 90% das reservas de petróleo e gás

AFP E EFE, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2030 | 00h00

Santa Cruz - O prefeito da cidade boliviana de Santa Cruz, Percy Fernández, afirmou ontem que "a única forma de pacificar a Bolívia é dividi-la em duas". O projeto é uma reivindicação antiga de empresários e líderes políticos da região leste da Bolívia, que se opõe ao presidente esquerdista Evo Morales. Fernández propôs que as províncias de Santa Cruz, Pando, Beni, Tarija, parte de Chuquisaca (onde fica Sucre) e Cochabamba formem uma "nação do oriente", separada dos outros três departamentos bolivianos - Oruro, Potosi e La Paz. Juntas, as províncias da "nação do oriente" ocupariam dois terços do território boliviano e concentrariam 90% das reservas de hidrocarbonetos do país. Pelo projeto de Fernández, elas teriam muita autonomia, mas não formariam um país diferente. A proposta, feita num momento em que a Bolívia está extremamente polarizada, deve aumentar ainda mais as tensões no país. Na véspera, uma greve geral de 24 horas "em defesa da democracia" foi convocada por grupos de oposição a Evo em 6 dos 9 departamentos bolivianos e alguns episódios de violência foram protagonizados pelo grupo União da Juventude Crucenhista - a força de choque do Comitê Cívico pró-Santa Cruz, que pede maior autonomia para a região. Ontem, o governo boliviano anunciou que tomará "ações legais" contra os integrantes desse grupo e pediu ao presidente do Comité Cívico pró-Santa Cruz, Branko Marinkovic, que expulse da organização os responsáveis pelos atos de violência do dia anterior. Uma das principais reivindicações dos grevistas era que os deputados governistas aceitassem, na Assembléia Constituinte, a mudança, de La Paz para Sucre, das sedes do Executivo e do Legislativo. Mais de 600 pessoas cumpriram ontem o 13º dia de greve de fome em Sucre para pressionar por essa mudança e a Assembléia de Chuquisaca aceitou um convite do governo para discutir o tema em La Paz. Os manifestantes também protestavam contra a destituição de quatro juízes do Tribunal Constitucional. Eles foram afastados por rejeitar indicações de Evo para o Tribunal Supremo e agora estão sendo investigados por traição. A Associação dos Juízes Bolivianos programou para hoje e sexta-feira uma greve "em defesa das instituições democráticas do país".

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