ANDREI NETTO/ESTADAO
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Prefeitos franceses questionam acolhida de imigrantes

Muitos rejeitam decisão de Hollande de receber 24 mil refugiados, mas governo promete dar suporte financeiro

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS , O Estado de S. Paulo

10 Setembro 2015 | 02h00

A chegada dos primeiros 200 estrangeiros acolhidos na França pela política de cotas europeias para refugiados fez explodir ontem a polêmica entre prefeitos sobre a pertinência de abrir as portas do país à imigração. Os primeiros 50 refugiados chegaram à região de Champagne-sur-Seine, 80 quilômetros ao sudeste de Paris, e representam a primeira leva de um total de mil pessoas que serão trazidas da Alemanha por iniciativa da Cruz Vermelha francesa.

Segundo a ONG, até amanhã, o número superará o primeiro milhar de refugiados, de um total de 24 mil vagas para acolhida que o governo de François Hollande se disse pronto a oferecer, de acordo com a política de cotas anunciada ontem pela União Europeia. Eles serão distribuídos pelo país e não serão estabelecidos critérios sobre origem, religião ou língua. “Não fazemos triagem em razão da religião. O direito ao asilo é um direito universal”, ressaltou o primeiro-ministro Manuel Valls, que rejeitou a reivindicação de prefeitos que pediram a triagem.

O mecanismo de acolhimento na França tem despertado polêmica entre autoridades municipais. Enquanto alguns prefeitos abriram as portas de suas cidades aos migrantes, outros as fecharam. 

Em meio à polêmica, o presidente da Associação de Prefeitos, o prefeito e senador conservador François Baroin, ex-ministro da Economia do ex-presidente Nicolas Sarkozy, criticou a política do governo de Hollande de aceitar os estrangeiros no país. “Temos 25 mil lugares para pessoas que solicitam asilo. E não temos mais lugar há muito tempo”, justificou à rede France Télévision. “Quando se está em condição de superlotação, não se está em condição de receber ninguém.”

Às críticas, o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, respondeu garantindo que caberá ao Estado francês assegurar o suporte financeiro aos refugiados. “Colocaremos à disposição das administrações municipais todas as ferramentas financeiras necessárias para organizar de forma digna a acolhida dos refugiados perseguidos”, afirmou. 

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