Michel de Groot/International Herald Tribune
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Prefeitura de Amsterdã quer se apropriar de cafés, diz dono do Mellow Yellow

Ao decidir sobre a abertura ou não dos cafés para consumo de cannabis, o governo está deliberando sobre nada menos que 600 coffee shops espalhados pelo país

Andrei Netto, ENVIADO ESPECIAL / AMSTERDÃ, O Estado de S. Paulo

19 de março de 2017 | 05h00

AMSTERDÃ - Ao ordenar o fechamento do mais antigo coffee shop de Amsterdã, o Mellow Yellow, a prefeitura da capital da Holanda alegou a existência de uma escola situada a menos de 250 metros de distância. O argumento foi aceito pela Justiça, mas segue sendo contestado pelo proprietário do estabelecimento, criado em 1967. Segundo Johnny Petram, a justificativa é infundada porque a escola é, na realidade, uma academia de cabeleireiros, com alunos maiores de 18 anos.

A polêmica em torno do fechamento do Mellow Yellow e de outros 21 coffee shops no início de 2017 – 80 nos últimos três anos – aumentou porque, segundo Petram, além de restringir a exigência de um comércio de maconha, o Estado holandês estaria tentando se apropriar do negócio. 

Ao decidir sobre a abertura ou não dos cafés para consumo de cannabis, o governo está deliberando sobre nada menos que 600 coffee shops espalhados pelo país. Ao discutir a regulamentação da produção de maconha, por exemplo, o governo tem nas mãos um mercado – hoje ilegal e sob o controle de máfias internacionais – estimado em € 1 bilhão por ano.

“A situação dos coffee shops sempre foi difícil. As autoridades tentam fechar ou assumir o controle das coisas”, reclama Petram. “O risco de fechamento, por exemplo, sempre existe. Cada coffee shop pode ser fechado de um dia para o outro pelo prefeito.”

Para Petram, a política restritiva que resultou no fechamento de metade dos coffee shops desde 2008 agora enfrenta uma onda internacional contrária: a da legalização da maconha. Com as iniciativas em curso no Uruguai, na Jamaica e em diferentes Estados americanos, como o Colorado, o governo holandês e o Parlamento teriam sido obrigados a recuar em sua intenção de apertar o cerco sobre a legislação. Mas uma grande batalha, diz ele, ainda será travada nos próximos meses: a da produção de cannabis para venda.

 

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