REUTERS/Tim Wimborne
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Prefeitura de Cannes veta burkini em suas praias

Segundo o decreto do prefeito da cidade, o conservador David Lisnard, a peça manifesta de forma 'ostentosa uma filiação religiosa' e poderia provocar 'distúrbios da ordem pública'

O Estado de S. Paulo

12 Agosto 2016 | 17h41

PARIS - A decisão da Prefeitura de Cannes de vetar em suas praias o burkini em nome do laicismo e para evitar possíveis distúrbios voltou nesta sexta-feira, 12, na França a chamar a atenção para este tipo de maiô que cobre totalmente o corpo e o cabelo.

A Liga dos Direitos Humanos (LDH) e o Coletivo contra a Islamofobia na França (CCIF) disseram nesta sexta-feira que vão levar aos tribunais essa proibição do acesso às praias e ao banho a quem "não respeite os bons costumes e a laicidade, as regras de higiene e de segurança".

O decreto da Prefeitura, do conservador David Lisnard, está em vigor desde o dia 28 de julho, mas foi divulgado na quinta-feira, três dias depois da anulação em uma festa em um parque aquático perto de Marselha previsto exclusivamente para mulheres usando burkini.

A legislação em vigor só proíbe a burca, que cobre todo o rosto, por motivos de segurança, portanto as autoridades locais se apoiam especialmente nesse motivo para respaldar sua decisão.

"Uma peça que manifesta de forma ostentosa uma filiação religiosa, quando a França e os lugares de culto religioso são atualmente alvo de ataques terroristas, pode provocar distúrbios da ordem pública", detalha a nota, que não cita especificamente esse tipo de maiô.

Mas o diretor-geral de serviços da Prefeitura, Thierry Migoule, foi mais longe e em declarações à "Francetv info" assegura que o burkini é um "sinal de adesão ao jihadismo" e cria, além disso, "problemas de higiene".

As duas organizações que vão recorrer dessa decisão são categóricas: "A Prefeitura organiza a discriminação contra mulheres que não cometem nenhum crime", diz a LDH, para a qual com a referência aos dois últimos atentados faz-se "um amálgama perigoso para a paz social".

O CCIF acrescentou que os argumentos oficiais são "chocantes", e os acusa de instrumentalizar tanto o atentado jihadista de Nice do dia 14 de julho como o que 12 dias depois matou um padre que rezava missa na Normandia, no norte do país.

"Em um contexto no qual cada um parece criar uma nova polêmica islamofóbica, acreditamos na lei", acrescentou essa associação, que disse estar profundamente preocupada com essa nova afronta "aos princípios mais elementares do direito". / EFE

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