Prefeitura de Taipé retira foto do presidente de Taiwan da parede

A Prefeitura de Taipé decidiu nesta quinta-feira retirar a fotografia do presidente taiwanês, Chen Shui-bian, das paredes do prédio, dando mais um passo em direção ao cerco político contra o governante, cada vez mais perseguido pelos escândalos de corrupção que afetam sua família e colaboradores.A decisão gerou o protesto dos vereadores do Partido Democrata Progressista (PDP), que tentaram impedir, sem sucesso, que o retrato fosse conduzido a um armazém do consistório.A medida, aprovada com os votos a favor da oposição de Taiwan, faz parte da estratégia de encurralar Chen para conseguir sua renúncia ou sua derrocada pelos métodos constitucionais.Chen vive os momentos mais difíceis de seu mandato, atingido por diversos casos de corrupção, enriquecimento ilícito e prevaricação envolvendo membros de sua família e de seu partido.A imagem do presidente taiwanês ficou especialmente manchada após a detenção, no final de maio, de seu genro Chao Chien-ming, implicado no vazamento de informação privilegiada em relação a uma transação da bolsa.Segundo a oposição, Chao e sua família ganharam aproximadamente US$ 13 milhões com a compra e venda de ações da "Taiwan Development Corporation", cujas ações foram adquiridas a preços baixos, antes que fosse divulgado um substancioso crédito bancário, o que disparou a cotação da empresa na bolsa de valores.Após a tempestade política, a imprensa continua revelando supostos casos de corrupção entre o oficialismo, alguns dos quais estão sendo tramitados pelos tribunais.A cadeia de escândalos teve nesta quinta-feira seu reflexo na Bolsa de Valores de Taipé, que caiu 4,25%, a cotação mais baixa em seis meses, sintoma da desconfiança entre os investidores.A voz do povoA perda de confiança se estende também à opinião pública, de acordo com as enquetes que medem a popularidade de Chen, eleito por sua impecável trajetória como lutador democrático e político honrado.Na última pesquisa sobre o presidente, divulgada nesta quarta-feira pela emissora TVBS, os favoráveis à destituição de Chen chegaram a 48% dos entrevistados, enquanto 36% foram contrários a essa possibilidade.A publicação da enquete coincide com o anúncio da oposição de iniciar um processo de cassação na próxima sessão parlamentar especial de setembro, assim como uma campanha nacional "para tirar Chen de seu posto", criticada pelo PDP, que teme distúrbios e instabilidade.No entanto, a queda-de-braço no Parlamento é, por enquanto, desfavorável à oposição, que conta com 111 do total de 221 parlamentares, já que são necessários 147 votos para aprovar uma moção para destituir a Chen.Consciente da diferença numérica, o presidente do histórico Partido Kuomintang, Ma Ying-jeou, pediu aos legisladores governistas que "não bloqueiem a moção e permitam ao povo decidir sobre o destino de Chen".Ying-jeou se referia ao plebiscito que seguiria a uma vitória da proposta de cassação, que precisa do apoio de 50% dos eleitores para que Chen seja desalojado do cargo.O presidente taiuanês afirmou hoje que não renunciará por causa dos escândalos de corrupção ligados a seus colaboradores e familiares, e pediu que a política ficasse separada dos processos legais.Durante uma reunião com o funcionário americano encarregado dos laços com Taiwan, Raymond Burghardt, Chen pediu "castigo aos culpados, mas não uma condenação a torto e a direito".

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