AP Photo/Alessandra Tarantino
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Preferidos na Itália podem colocar zona do euro de volta na crise

O M5S não crê na moeda única e a Liga do Norte integra aliança de Berlusconi, que quase causou um desastre

THE ECONOMIST, O Estado de S.Paulo

02 Março 2018 | 05h00

No domingo, os italianos irão às urnas em uma eleição geral considerada a mais importante na Europa este ano e com enorme potencial para lançar a zona do euro numa crise. Dois entre os principais partidos na disputa não acreditam na moeda única. Um deles é o Movimento 5 Estrelas (M5S), legenda antiestablishment. O outro é a Liga Norte, agremiação política populista de direita comandada por Matteo Salvini, que integra uma aliança forjada pelo ex-premiê Silvio Berlusconi.

Além disso, todos os principais concorrentes vêm fazendo promessas desmedidas que ameaçam aumentar ainda mais o déficit orçamentário da Itália e a sua já enorme dívida pública (132% do Produto Interno Bruto) no fim de 2016. Qualquer afrouxamento no caso das finanças públicas italianas pode provocar uma disparada das taxas de juro da dívida existente.

O resultado é importante. Mas quem será o vitorioso? A pergunta não é complicada, mas a resposta, sim: saber quem será não é necessariamente relevante. É muito provável que decisões cruciais sejam tomadas após o escrutínio. O M5S, provavelmente, obterá o maior número de votos. Segundo as últimas pesquisas, divulgadas antes de publicações de sondagens serem proibidas, a partir de 17 de fevereiro, o movimento pode obter 28% dos votos. 

Mas isso não lhe dará uma maioria parlamentar e o M5S até agora rejeitou cooperar com os partidos principais (embora seu candidato a primeiro-ministro, Luigi di Maio, tenha deixado claro que pretende mudar isso). Os partidos na Itália não são obrigados a permanecer nas coligações eleitorais após a votação. Portanto, uma coalizão populista entre o M5S e a Liga do Norte, embora improvável, não está fora de questão.

A única aliança com chances de obter maioria parlamentar é a de Berlusconi, que, com base nas pesquisas, obterá 37% dos votos frente aos 28% da aliança de centro-esquerda encabeçada pelo Partido Democrático (PD). 

Liderada por Matteo Renzi, que foi primeiro-ministro até o fim de 2016, o PD é também parceiro dominante no governo de coalizão de Paolo Gentiloni. Mas o partido ficou extremamente enfraquecido em razão das deserções e da concorrência de uma nova agremiação, mais à esquerda, dos Livres e Iguais (Liberi e Uguali). Se a direita conquistar a maioria, a questão crucial será quem obterá mais votos, se a Liga do Norte ou a Força Itália, uma vez que os líderes dos dois partidos acertaram que aquele que tiver mais sucesso terá o direito de escolher o novo primeiro-ministro.

Impasse. No entanto, todas as pesquisas apontam para um Parlamento sem maioria clara, o que acarretará um impasse, o que o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, disse temer. 

Mas pode haver uma saída preferida pelos mercados: uma coalizão da Força Itália com o PD, talvez chefiada por Gentiloni. Se os mercados estão certos, isso é discutível. A Força Itália e o PD têm ideias muito diferentes para a gestão da economia e será difícil concordarem com relação às reformas estruturais que a Itália necessita. 

Berlusconi, de 81 anos, não pode se tornar primeiro-ministro, uma vez que está impedido por uma condenação por fraude fiscal, em 2013. Mas terá uma influência decisiva em qualquer governo de centro-direita ou de centro-esquerda. E os investidores parecem ter esquecido que foi sua resposta inapropriada à crise do euro, em 2011, que levou a moeda única à beira do desastre. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO 

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