Jessica Taylor/House of Commons via AP
Jessica Taylor/House of Commons via AP

Prefiro estar morto numa vala a prorrogar negociações do Brexit, diz Boris Johnson

Lei obriga a pedir um novo adiamento do Brexit se um acordo não for alcançado com Bruxelas nas próximas semanas.

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2019 | 14h56

LONDRES - Após sofrer três derrotas no Parlamento que dificultaram a saída do Reino Unido da União Europeia sem um acordo, o primeiro-ministro Boris Johnson rejeitou nesta quinta-feira, 5, pedir uma nova prorrogação do prazo de negociações do Brexit

"Prefiro estar morto numa vala", disse o primeiro-ministro em entrevista coletiva em Londres. "Não quero uma eleição, mas não vejo outra saída."

Na quarta-feira, a Câmara dos Comuns aprovou uma lei que obriga o governo a pedir um novo adiamento do Brexit , previsto para 31 de outubro, se um acordo não for alcançado com Bruxelas nas próximas semanas.

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Manobra do premiê Boris Johnson pode atrasar as discussões para a aprovação de um acordo amigável com a UE

"Quero dar ao país a chance de sair da União Europeia em 31 de outubro", acrescentou Johnson. "Podemos fazer isso ou trazer outra pessoa que faça com que fiquemos na UE."

O premiê ainda disse que o Reino Unido precisa tomar uma decisão clara sobre seu futuro e criticou a oposição.  "Preferem Jeremy Corbyn com seu plano de atrasar o Brexit e ficar na UE para sempre?", questionou.

Desde que assumiu o cargo em substituição a Theresa May,em julho, Boris Johnson adotou duas medidas que, segundo analistas, tendem a facilitar uma ruptura unilateral com Bruxelas. 

A primeira foi a ampliação do recesso do Parlamento. A segunda é a ameaça de antecipar eleições. Ambas dificultariam o debate parlamentar para a aprovação de um acordo.

O que Johnson pode fazer após as derrotas?

Agora, o primeiro-ministro tentará na segunda-feira uma nova tentativa de antecipar as eleições. Para isso, ele precisa do apoio de dois terços dos parlamentares - número que ficou distante em sua primeira tentativa de aprovar a manobra. 

Em caso de derrota, a alternativa para antecipar as eleições e, assim, atrasar o debate sobre o Brexit seria renunciar e forçar novas eleições - possibilidade que também já foi descartada por ele. 

Johnson também se nega a prorrogar o prazo da negociação com Bruxelas e a aprovar o acordo negociado pela antecessora com a UE. Assim, o impasse se agrava a cada dia. 

 Boris Johnson defende ruptura com a UE

O primeiro-ministro é defensor de uma ruptura radical com a UE e um crítico do acordo negociado por May com Bruxelas. Os britânicos decidiram sair da UE com 52% dos votos na consulta popular realizada em junho de 2016. 

Em meio à confusão, os 21 dissidentes do Partido Conservador foram imediatamente expulsos da bancada parlamentar por Johnson. Entre os expulsos, estão Nicholas Soames, neto de Winston Churchill, ídolo de Johnson, e o ex-ministro das Finanças Philip Hammond.

Nesta quinta-feira, até o irmão do premiê, Jo Johnson, abandonou o governo por discordar de sua política para o Brexit.

Qual o problema do Brexit sem acordo?

Deputados de todos espectros políticos temem as consequências de uma saída radical do bloco, que ameaça deixar o Reino Unido com escassez de alimentos, medicamentos e produtos importados, ao mesmo tempo em que faria a economia britânica perder bilhões de dólares em exportações. 

A associação britânica de supermercados alertou hoje para a escassez de comida e aumento de preços caso o Reino Unido deixe a União Europeia sem acordo.

Segundo estimativas de agências do governo, do Banco da Inglaterra, do FMI e de empresas de consultoria, o PIB do Reino Unido será 3,9% menor, em 2034, em relação ao que seria se não houvesse Brexit. Em janeiro, um relatório da consultoria Ernst & Young revelou que bancos e firmas de investimento moveram US$ 1 trilhão do Reino Unido para a UE. / REUTERS e  AFP 

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