Pregador do Iêmen conclama acadêmicos a promoverem a jihad

Um pregador radical sunita nascido nos Estados Unidos e radicado no Iêmen conclamou na segunda-feira os acadêmicos islâmicos a promoverem a jihad contra os interesses norte-americanos e israelenses na região.

REUTERS

08 de novembro de 2010 | 17h33

Em um vídeo de 23 minutos divulgado em sites islâmicos, Anwar al Awlaki também acusou o Irã de tentar ampliar sua influência entre os países árabes da região. O vídeo parece ter sido gravado antes da frustrada tentativa de enviar pacotes-bomba do Iêmen para os EUA.

"Só falar do púlpito não basta", disse Awlaki, dirigindo-se aos clérigos islâmicos. "As palavras que não estão ligadas à ação nem fornecem à sociedade passos práticos que levem a uma mudança não nos beneficiam neste momento. Ou apoiamos os mujahideen (combatentes da guerra santa) e ganhamos tudo, ou os traímos e perdemos tudo."

Na semana passada, o Iêmen começou a julgar Awlaki à revelia por instigar a violência contra estrangeiros. No sábado, o governo determinou que ele seja capturado vivo ou morto. Os EUA, que o qualificam como "terrorista global", também têm uma ordem de prisão contra ele.

Washington desconfia que ele teve ligação com uma outra tentativa frustrada de atentado, em dezembro, quando um nigeriano foi preso com explosivos na cueca a bordo de um voo Holanda-EUA. O caso foi atribuído à Al Qaeda da Península Arábica (AQPA), o braço do grupo de Osama bin Laden no Iêmen.

Mas Awlaki não fez menção à AQPA no seu pronunciamento, que não foi divulgado nos órgãos de comunicação ligados ao grupo.

Os xiitas do norte do Iêmen há anos realizam rebeliões esporádicas contra o governo, mas rejeitam as acusações de que teriam apoio iraniano.

Segundo Awlaki, "as primeiras vítimas do Irã serão o povo sunita do golfo (Pérsico). Oh, clérigos do povo sunita, qual é o seu plano para resistir a essa difusão xiita?", disse Awlaki, que aparece sentado diante de uma mesa, com um traje típico iemenita.

"A América e Israel já estão controlando o Iêmen. E não vai demorar para que o Irã aproveite a oportunidade de pegar o seu pedaço do bolo", acrescentou.

(Reportagem de Erika Solomon)

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